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	<title>Despertar da Consciência &#187; Experiências pessoais</title>
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	<description>Meditação, despertar espiritual, conhecer-se a si mesmo, união com Deus</description>
	<pubDate>Wed, 05 Nov 2008 21:43:44 +0000</pubDate>
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		<title>Experiência Transcedental Divina</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Mar 1952 18:20:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zari Alkalay</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Experiências pessoais]]></category>

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		<description><![CDATA[São Roque, Março de 1952.
A Voz tinha dito e eu deixei-me invadir por aquele fragor que tinha o poder de aterrorizar e acalmar simultaneamente.
&#8220;Durante três dias, estarás fora do corpo - trovejou - e por três dias deverás macerar-te nas três dimensões, deverás lutar para superar, vencer para merecer, morrer para nascer, ser sombra para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São Roque, Março de 1952.</p>
<p>A Voz tinha dito e eu deixei-me invadir por aquele fragor que tinha o poder de aterrorizar e acalmar simultaneamente.</p>
<p>&#8220;Durante três dias, estarás fora do corpo - trovejou - <strong>e por três dias deverás macerar-te nas três dimensões, deverás lutar para superar, vencer para merecer, morrer para nascer, ser sombra para tornar-te luz e ter o dom de poder dá-la</strong><strong>&#8220;</strong><strong>. </strong></p>
<p>Oh Deus! Quanta alegria sinto no poder dar-Te todo o pulsar deste coração humano, que suprema honra me concedes, dignando-me servir-Te e adorar-Te!</p>
<p>E agora por ordem do Mestre devo escrever minhas impressões, valendo-me da lembrança daquele pouco que ficou em mim da divina viagem.</p>
<p>Senti um golpe no coração como se ele fosse parar. Meus membros pareciam paralisados e o meu corpo gélido e imóvel parecia petrificado, duro, morto, embora me sentisse viva, completamente consciente e dona de meu pensamento.</p>
<p>Repentinamente, como obedecendo ao impulso, encontrei-me fora do corpo e de um golpe minhas sensações mudaram improvisadamente.</p>
<p>Estavam no escuro, trevas completas à minha volta e tinha a estranha sensação de que aquelas sombras espreitassem como uma cousa horripilante e viscosa.</p>
<p>Senti-me desmaiar, como se tivesse corpo precipitei-me com um urro de pena e de tormento, atraída pelo escuro abismo sem fundo.</p>
<p>Enfrentava, assim, inconscientemente o lugar que minha consciência deveria percorrer, vivendo aquele horror desconhecido e monstruoso. Tenazmente, debati-me no abismo pegajoso, úmido de milhares de mãos que não via, de milhares de corpos descompostos, pútridos que me roçavam, me apertavam no seu monstruoso emaranhado.</p>
<p><strong>A morte. </strong>Era o reino da morte e das trevas. Sofri mil agonias, mil mortes me dilaceraram com a mordedura aterrorizante de sua ferra. Senti as bocas descarnadas, sugando minha alma para saciar seu desejo de vida.</p>
<p>Uma luta obstinada, muda, desenrolou-se na sombra horrível. Tentei subir, subi, aumentei meu esforço, consegui livrar-me daquela massa de horror.</p>
<p>Oh Deus! Sê comigo - invocou minha alma exausta.</p>
<p>Uma tênue luz se fez ao meu redor e uma dulcíssima Voz chegou a mim como eco celeste: &#8220;Passaste pela primeira esfera da vida, onde o desejo é a morte da carne e assim pudestes superar o reino das trevas e venceu a morte&#8221;.</p>
<p>O lindo clarão que agora me cercava, realmente não era convidativo. No verde opaco fulgiam chamas escuras, avermelhadas, aterrorizantes, dentro das quais dançavam línguas flutuantes do mesmo fogo escuro, formas espectrais com as órbitas vazias, tenebrosas, sem vida e, no entanto desesperada e angustiosamente vivas, na sua tremenda expressão de inacabado na condenação suprema, pavorosa, de ceder e consumar-se, para voltar a arder e consumar-se, até que o desejo de Deus não purifique do desejo de carne e de suas paixões.</p>
<p>Caminhei na senda sem fim do horror. Gemidos acompanhavam meu andar, enquanto me sentia agarrar por uma ânsia inominável.</p>
<p>Onde estava o meu Mestre? Onde estava o meu Deus? Talvez os tivesse perdido no reino do fogo tenebroso?</p>
<p>Por que devia macerar no mesmo fogo da culpa e das paixões onde a infinita, pavorosa falange ardia?</p>
<p>&#8220;Sê calma&#8221; - de longe me alcançou o eco divino - se a vida tem suas exigências, também à ascensão espiritual a tem, e se é necessário vencer as trevas da morte para entrar na vida, é necessário também superar as paixões da vida para reentrar no reino da morte!</p>
<p>&#8220;Ultrapassa a segunda esfera, a do fogo das baixas paixões e supera-te&#8221;.</p>
<p>Senti uma grande calma, interiorizei-me e imediatamente tive a sensação de subir.</p>
<p>Um arrepio me sacudiu do doce torpor que me invadira, um grande frio se apoderou de mim e sombras brancas e sombras escuras foram se sobrepondo rapidamente.</p>
<p>O clarão azul de um céu distante, ainda muito longe, encorajou-me. Estrelas luminosas brilhavam como lagrimas de luz sobre o fundo ametista.</p>
<p>Sentia-me prisioneira de algo que embora sendo transparente, pesava tremendamente.</p>
<p>Podia porem, me mover com facilidade como se deslizasse sobre um fundo de veludo.</p>
<p>Claras sombras ao meu redor deslizavam com estranhas fosforescências, outras lampejantes se debatiam, como pregadas ao solo movediço e escuro. Figuras imprecisas, elásticas, gorgolejantes nas suas roupagens por vezes iridescentes e tênues, por vezes verdes e viscosas. Criaturas horripilantes e criaturas de sonhosucediam-se uma às outras, pesadas as primeiras, leves e saltitantes as outras.</p>
<p>&#8220;Eu sou a sombra elementar do Mar, sou o tormento da vida e da morte e sou o elemento do mal e da destruição&#8221; - sibilou uma sombra com a forma de um gigantesco polvo, monstruoso, abrindo o bico duro de tom avermelhado escuro.</p>
<p>&#8220;Somos as ninfas, as sereias e as ondinas, somos as tecelãs da vida, somos as ondas que renovam, somos o bem e a harmonia, vem conosco, mostrar-te-emos nossos tesouros&#8221; - disse um grupo de sombras brilhantes cercando-me com o encanto melodioso da voz e tentando levar-me.</p>
<p>Porem senti-me como que pregada.</p>
<p>&#8220;Esta  &#8220;<u>eride</u>&#8221; astral me pertence&#8221; - tonitroou a voz cavernosa do gênio marinho que por primeiro havia falado, e com seus tentáculos me agarrou, chicoteando com os outros as delicadas sombras que fugiram amedrontadas. Aquele abraço viscoso, nojento, rebelou-me; inutilmente tentei libertar-me, minhas mãos estavam sem forças e sem defesa. Parecia-me morrer mil vezes no seu aperto que sugava minha energia.</p>
<p>&#8220;Fecha teu astral <u>EL</u> - disse a mim mesma - tu és, e nenhuma força material pode dominar teu ego&#8221;.</p>
<p>Achei-me livre. Um canto harmonioso me alcançou e me confortou. Uma chuva de perolas como gotas luminosas acompanhou minha subida, enquanto ao longe Netuno desaparecia sobre seu coche de ouro, saudando-me.</p>
<p>&#8220;A terceira esfera foi superada, prepara-te para a grande prova&#8221; - advertiu a Angélica voz, enquanto aflocava em um níveo mar de gelo.</p>
<p>Um redemoinho transportou-me para o alto. Desaparecia todo aspecto monstruoso e tudo assumia o tom doce,  pacato e delicado que a distancia faz adquirir às coisas humanas e astrais.</p>
<p>Finalmente não mais estava só no vazio tenebroso. Plaudzer, o grande anjo do Sol me acompanhava.</p>
<p>&#8220;Estamos na quarta esfera - disse - no reino atmosférico que divide os planos da sombra e da luz. As forças do alto nos atraem para fora da galáxia, para os Grandes Seres que nos dirigem do Sol, primeiro degrau da luz radiante&#8221;.</p>
<p>Nuvens círios tempestuosos e negros nos envolveram, trovejaram com suas vozes tonitruantes vãs ameaças, fulguraram suas foscas Radiações, mas nós passamos e tudo se esclareceu, primeiramente em tênues clarões lilases, rosa e dourados, depois em uma esplendida apoteose de luz azul, intensa, vibrante.</p>
<p>Subimos ainda. Extasiada pelo espetáculo que se oferecia a meu espírito, pensei: &#8220;quanta luz, quanta luz, quanta luz, meu Deus!&#8221;.</p>
<p>&#8220;É Ele a Primeira Luz&#8221; - ouvi Plaudzer murmurar junto a mim. Exultei; &#8220;É verdade, é Ele a Luz. Oh! Meu espírito, sê digno.&#8221; Assim ficamos por um tempo sem medida. Como é doce flutuar sem corpo no céu que parece um prado de ouro, marchetado de gemas preciosas.</p>
<p>Ah! O Sol! Finalmente a quarta esfera, etérea. Uma luz ofuscante subitamente me atingiu como se fosse dura, física, dolorosa. &#8220;Estamos na quinta, atrás da porta da vida que parece luminosa, amadurece a dor. Queres enfrentá-la? - perguntou-me tristemente o anjo. &#8220;É necessário enfrentá-la, devo enfrentá-la.&#8221; - respondi sem esitar. Persignei-me e penetrei naquele halo convidativo de luz.</p>
<p>Deus! Que tormento, quanta ânsia! Parecia arder. Parecia que todo o fogo da terra queimasse em mim e mil espinhos incandescentes penetrassem na etérea substância do meu eu astral.</p>
<p>Veio-me o impulso de fugir. Mas uma risada satânica me conteve desafiando-me. &#8220;Tens medo de lutar e de sofrer?&#8221; Disse. Era ele.  &#8221;Não, não&#8221; - respondi com dificuldade - &#8220;não retrocederei&#8221;. Apenas tinha pensado isso, uma espada fulgurante apareceu à minha frente. Empenhei-a e a apontei em sua direção, o gênio imundo, que retrocedeu com um salto. Mas não se deu por vencido e me lupentou novamente para atormentar-se ainda com suas blandícias. Lentamente ergui a espada fazendo o sinal da cruz, sinal majestoso, divino. Ele fugiu como atingido pelo raio e eu avancei sem mais angústias.</p>
<p>&#8220;Deus! - murmurei - que seja a purificação&#8221;. Depois, dirigindo-me ao anjo: &#8220;Plaudzer, dá-me também a cruz, com minha espada defenderei esta cruz&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Não vês - respondeu o anjo - a primeira cruz já foi confiada ao Homem-Deus?&#8221;.</p>
<p>&#8220;Sim, vejo, tem o corpo sujo de vermelho-disse - mas é sangue. Quanto sangue! E a culpa do seu calvário parece daquele romano que alberga todas as maldades da humanidade&#8221;.</p>
<p>Procurei aproximar-me do sacrificado para lhe dizer: Eis o meu amor, une o Teu com o meu sangue. Mas uma força me deteve. &#8220;Deixa-me passar, deixa-me passar - gritei - deixa-me&#8221;. Lutei com a espada para fazer caminho entre as sombras do ódio e da inconsciência. Por fim senti-me livre. &#8220;Graças Mestre - disse - a sombra fugia, mas há uma estrada longa, longa, cheia de espinhos&#8221;.</p>
<p>&#8220;Queres enfrentá-la?&#8221; Murmurou a voz.</p>
<p>&#8220;Sim, quero. Não tenho medo da dor, não tenho medo da dor&#8221;.</p>
<p>As provas são longas e árduas. As superarás, novamente? Perguntou como um eco a voz Angélica.</p>
<p>&#8220;Sim, superarei todas as provas - disse segura - mas quais, quais são estas provas?&#8221;.</p>
<p>Pacatamente, como se cada palavra se revestisse de um oculto significado Plaudzer disse compassadamente:</p>
<p>&#8220;A Vida, a morte, a luz, a sombra, o bem, o mal&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Dá, também, minhas cruzes, mas não tires minha espada&#8221;.</p>
<p>&#8220;Sim&#8230; talvez meu pensamento por vezes não é perfeito e devo purificá-lo porque quero ser perfeita&#8221;.</p>
<p>&#8220;Dá-me, também, os espinhos de Jesus, dá-me um calvário do mundo, e prosseguirei pelo caminho que não mais termina&#8230; não termina mais&#8230;&#8221;.</p>
<p>Eis uma outra porta que impede a subida. &#8220;O que é? O que deseja? Quem é?&#8221;.</p>
<p>&#8220;Sou a lembrança do próprio passado&#8221;.</p>
<p>&#8220;O que queres de mim?&#8221;.</p>
<p>&#8220;Renovar as chagas do destino&#8221;.</p>
<p>Uma invocação parte como uma onda de fogo: &#8220;Longo ainda, Mestre, é este caminho?&#8221;.</p>
<p>Responde um doce canto, me aplaca: &#8220;Ave Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo, sejas bendita entre as mulheres, sombra luminosa. Bendito será o fruto do teu ventre que chamarás Jesus&#8221;.</p>
<p>&#8230; Lembro&#8230; Seja feita a Tua vontade&#8230;</p>
<p>Quinto raio, quinta esfera. Esfera onde todo o mal se desencadeia e se exprime na luta.</p>
<p>Chegamos? Quando acabarei de existir? Quando poderei vencer?</p>
<p>O Grande Sopro nos chama e nos atrai.</p>
<p>Deixo na quinta esfera a minha espada.</p>
<p>Entro na sexta esfera e uma alegria me atrai. Como estou contente a me ver circundada por criaturas, divas e anjos!</p>
<p>Sinto-me, apenas, sem apoio, agora que o anjo guia não mais está comigo. Deixou-me sobre o humbral da nova experiência com estas palavras: &#8220;Entra no reino do astral&#8221;.</p>
<p>Sim, é o reino do astral onde as almas descidas param durante o sono e com grata surpresa vi virem ao meu encontro sorridente e alegre: Flamina, Diana, Olga, Gladis, Maria Elettra, Luce e por fim Leana El, luz de amor.</p>
<p>Sorrio feliz para elas enquanto uma nova onda humana se aproxima.</p>
<p>&#8220;Quantos! Quem são?&#8221;. Pergunto. Respondeu-me que são as flores que nascerão. &#8220;a espera do seu astral&#8221;.</p>
<p>Tudo é brilhante, tudo dourado, parece que um fogo purificador inunda nossas almas, beatifica nossos espíritos.</p>
<p>Pergunto &#8220;as minhas criaturas: &#8220;Porque vos encontro aqui&#8221;?&#8221;</p>
<p>Leana me explica: a deles nada mais é do que a imagem astral do corpo adormecido; e eu compreendo então que me encontro mergulhada na alma universal, a mente do mundo, a zona <u>letea</u> onde se condensa a projeção vívida, ainda que abstrata, do eu físico em repouso.</p>
<p>Seu aspecto nada mais é do que uma forma pensamento que chega até ali. Exprimem o desejo de me seguir, mas exorto-as a me obedecerem, a não fazê-lo.</p>
<p>Vejo, também, Gabriel e Armano e pergunto o que estão fazendo.</p>
<p>Sorrindo-me graciosamente me dizem: &#8220;Vê, assistimos a passagem da nossa rainha.&#8221;</p>
<p>&#8220;Não brinquem&#8221; - advirto.</p>
<p>&#8220;Mas é verdade&#8221; - respondem.</p>
<p>&#8220;Isto me confunde, filhos - murmuro comovida -&#8221;Nada mais me digam agora, somente quando passar novamente, se voltar. Sede boa, doce, perfeita. Segui o que diz o nosso Mestre e nunca esqueçais vosso dever, porque, vê Gabriel, nós somos quem somos e não devemos falhar aconteça o que acontecer. Um dia &#8220;como anunciador me abençoou e hoje sou eu que te abençôo como filho&#8221;.</p>
<p>Sinto que me chamam: &#8220;Estás pronta?&#8221; &#8220;Sim, estou pronta&#8221;.</p>
<p>&#8220;Deixa tua couraça&#8221; me é imposto pelo poder invisível que agora me dirige.</p>
<p>&#8220;Porque devo deixar a couraça? Pergunto&#8221;. Mas, somente o silencio responde como muda advertência. &#8220;Se é uma ordem, obedece&#8221;. Mas, no entanto penso que já me foi tirada a espada no outro globo e tenho a intuição que entrei na esfera das provas.</p>
<p>Devo ter coragem, muita coragem. Sinto-me pronta, mas um agulhão doloroso me oprime.</p>
<p>Que provas serão? Já não passei pelas infinitas torturantes provas elementares? (Nesta parte o significado oculto não pode ser completamente revelado. Isto está velado por trás do velado e eu não devo esclarecê-lo, ao menos por agora).</p>
<p>&#8220;Sim - me sussurram o eco do Poder - já passaste as primeiras provas no reino das esferas tenebrosas dos mundos inferiores. Agora deverás passar as outras superiores&#8221;.</p>
<p>Permaneci muda. &#8220;Mas quais são estas novas provas?&#8221; depois perguntei titubeante.</p>
<p>&#8220;Essas são a terra, o ar, a água, o fogo e depois, ainda, a sombra, a luz, o vazio e a substância, a dor, o pranto, a posse, a alegria. Tens medo por acaso?&#8221;.</p>
<p>Não, não tenho nenhum temor, já posso estar morta antes de morrer e posso viver sem viver.</p>
<p>&#8220;Sou o gênio oculto da vida e sou o fogo que cria e purifica, por que minhas cinzas jazem parte de ti, oh Terra, tudo se origina de ti, e parte de mim&#8221;.</p>
<p>&#8220;Amo meus filhos e por eles vivo&#8221;&#8230; Por eles me movo eternamente das trevas à luz.</p>
<p>&#8220;Sepultai-me também&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Oh Mãe Terra! Oh Gea, acolhe-me em teu seio a fim de que com minha ressurreição possa sentir a alegria de viver&#8221;.</p>
<p>Precipito, sufoco, uma longa agonia dilacera meu espírito. Um hálito gélido me alcança, é a asa da morte e eu cedo à doçura serena do seu abraço.</p>
<p>Mas breve é o repouso. Um turbilhão tempestuoso me arrasta violentamente do letargo e uma voz poderosa me grita: &#8220;Vem comigo. Sou o Pai semeador. Se no seio de Gea se multiplicam as formas é unicamente por causa do sêmen que nela joguei&#8221;.</p>
<p>Empurrada pelo vórtice invoco: Antioci! Antitea! Erguei-me no vosso abraço&#8230; &#8220;Arrastai minha vontade de viver&#8221;.</p>
<p>Apenas prenuncio isto, uma grande luz me alcança.</p>
<p>&#8220;Hei-lo, hei-lo, é Azaquiel&#8230;&#8221; grito. Sinto afogar-me me domina.</p>
<p>e ainda uma vez sinto as sensações de uma morte física que abriga meu espírito sem paz a afastar-se.</p>
<p>Depois me encontro só, só, todos foram embora, mas ao meu redor se erguem chamas altíssimas. Por um instante o temor me domina.</p>
<p>&#8220;Retrocede se não podes&#8221; diz o Poder.</p>
<p>&#8220;Não, não, não há retorno daquela parte, prefiro morrer mil vezes, morrer por toda a eternidade à retroceder&#8221; digo e penetro na pira ardente.</p>
<p>&#8220;Oh Senhor! Queimo!&#8221; grito, mas passo.</p>
<p>Como um sonho, a horrível prova da vontade de vencer é superada e uma túnica esplendente de ouro me envolve como uma promessa e uma esperança. É talvez, a benção do Mestre que me chega e me dá força?</p>
<p>O Grande Sopro me chama novamente e de novo me atrai na sua eterna energia.</p>
<p>Eis-me, agora, no éter. Tudo brilha nos céus remotos do ser.</p>
<p>Sinto elevar-me nos mais altos graus do intelecto; quase que meu espírito tinha rasgado o véu da sua consciência.</p>
<p>Ressurjo, e na infinita felicidade que me inebria grito: &#8220;Eis a ressurreição, ressurreição da carne, no triunfo do espírito. Somente à luz das suas conquistadas virtudes tudo esplende, tudo é claro, tudo é belo. Agora sou consciência e sei quem sou&#8221;.</p>
<p>Nike esta triunfante!</p>
<p>Nike esta vitorioso!</p>
<p>&#8220;Represento-te, oh Mitras&#8230; Luz do céu. Agora sei&#8230; agora conheço as verdades que fecundam as revelações&#8221;.</p>
<p>E penso no êxtase: &#8220;Esta verdade é o divino sangue do espírito, a que pertence, pois que participa da eterna sabedoria que é irradiada pelo Pai imponderável&#8230;&#8221;.</p>
<p>Da minha humilde sombra luminosa parte uma invocação: &#8220;Mickael, sou a tua humilde escrava ajoelho-me e Te sirvo como sempre, ainda que frequentemente me caiba suportar o fardo humano&#8221;.</p>
<p>Continuo a vagar nos abismos espaciais, quando, como suspensa em uma luz dourada, uma visão me inebria. Doce, sereno, esplendente na sua majestade, o Homem Deus se apresenta. &#8220;Salve Filho Divino&#8221;.</p>
<p>Compreendi então o porquê da vida, compreendi que até que esteja acesa a chama da criação, à luz desta tocha nascida de meu coração de sombra, Isis, o mistério, procurara sempre o esposo no templo do espaço e Maria subira o Calvário para chorar aos pés da Cruz à morte de seu filho. E compreendi que, unicamente, em virtude da dor e do amor, acendem-se esta chama, a fim de que a humanidade se aqueça ao seu calor e seja guiada por sua luz.</p>
<p>Uma meditação profunda me absorveu. Senti-me diluída como se não existisse, ao mesmo tempo em que sei existir, intensa e infinitamente.</p>
<p>É como se minha mente estivesse acordada e ao mesmo dormindo ao mesmo tempo. É como se o cosmos se tornasse um grande livro no qual pudesse ler o destino dos homens esculpido lentamente pela criação.</p>
<p>Suas paginas deslizam à minha frente e sinais de luz nelas flamejam.</p>
<p>As paginas do livro do destino. Oh Deus! Devo ler? Devo dizer revelar? Não sei, e no temor invoco o Mestre.</p>
<p>&#8220;Mickael - penso intensamente - indica-me o que dizer e o que devo encerrar no coração. Espero. Direi aqui somente o que me seja permitido dizer&#8221;.</p>
<p>E vi: vi o destino do gênero humano envolto por uma sombra, uma sombra imensa.</p>
<p>A alma universal manchada por esta sombra irá sempre à procura do amor divino perdido na dor por culpa dos homens que não sabem compreender.</p>
<p>Cada coisa amadurecerá a justa luz da evolução; até então crises tremendas amadurecerão no seio da involução as sementes de luz, de bem e de amor.</p>
<p>Os horrores de uma guerra foram afastados e os sofrimentos aliviados em virtude da Obra&#8230; Mas do oriente surgirá um novo perigo que se tornará sempre mais agudo e premente e o mundo sofrerá sob o golpe que o próprio homem ocasionara à sua humanidade&#8230;</p>
<p>Mas será o caminho de redenção e da ressurreição. Longo caminho, amargo caminho nas esferas da inconsciência - penso.</p>
<p>&#8220;Posso abrir?&#8221; - pergunto.</p>
<p>&#8220;Posso dizê-lo?&#8221;</p>
<p>Compreendo que deverei referir somente as linhas indicadas.</p>
<p>&#8220;Se os homens que regem o destino da evolução erram, a obrigação será dividida e os responsáveis deverão sofrer muito&#8230;&#8221;.</p>
<p>Não falo, não digo, não posso ir além. É-me imposto calar, mas sei e cumprirei a ordem, qualquer que seja e mesmo se custasse meu aniquilamento, inclinar-me-ei ao Querer Supremo.</p>
<p>Tinha perdido contato com qualquer forma material e não consigo imaginar quanto tempo meu espírito ficou inerte e inconsciente.</p>
<p>Quando comecei a perceber que o espírito tinha restabelecido o liame com o corpo perguntei: &#8220;Estais aqui&#8221;?</p>
<p>Giuseppe chamou-me com afeto, senti-me confortada por sua voz, seu pensamento alcançou-me na minha solidão imensa e com ele confirmei meu monologo.</p>
<p>&#8220;Os homens que tem o dever de realizar a Obra não poderão, não poderão cumpri-la se não forem seres perfeitos&#8221;.</p>
<p>&#8220;É necessário serem perfeitos&#8221; - respondeu-me Giuseppe.</p>
<p>&#8220;Certo - prossegui - de outro modo, o que farão aqueles que nos seguem e seguem nosso ideal, se não se espelharem em nossas Virtudes?&#8221;</p>
<p>&#8220;Meus filhos, meus filhos, um agudo sofrimento me dilacera, é talvez o reflexo do corpo mortal que sofre lá em baixo, auquilocado pela longa letargia&#8221;.</p>
<p>&#8220;Mas o que importa?&#8221; &#8220;É assim leve o fio da vida, seria um sonho parti-lo, mas não se pode mais do que culpa seria um delito&#8221;.</p>
<p>É a âncora que nos tem ligado ao mar infinito.</p>
<p>&#8220;Estou só no infinito, ligada ao mundo do finito e escuto&#8230; os cantos dos mundos? Sente a sublime sinfonia de Gea, a Terra?&#8221;.</p>
<p>E continuo a falar Giuseppe e Conceição: estais longe, no entanto tão vizinhos a ela, vês - digo como se eles pudessem vê-la - vês a luz vibrante da sublime harmonia, hei-la, é música é a harmonia das esferas, ouvis?&#8230; &#8220;Parecem tantas pérolas iridescentes que se entrelaçam e se dissolvem em claras notas de cores, em nuvens graciosas&#8221;.</p>
<p>Giuseppe responde: &#8220;Sigo teus passos e estou contente com tua vontade, que é a nossa vitória&#8221;.</p>
<p>&#8220;Vem, vem, tu também&#8230; será consagrado. Seria uma grande alegria para mim. Vem, será um sol radiante que cada vez mais se eleva&#8221;.</p>
<p>&#8220;Sobe tu&#8221; me exorta.</p>
<p>&#8220;Sou a sombra da luz, ainda não posso subir, é-me proibido&#8221;, digo aflita.</p>
<p>Encoraja-me ainda: &#8220;Eu te ajudarei&#8221;.</p>
<p>&#8220;Não podes - retruco - cada um deve vencer por si&#8221;.</p>
<p>Após breve pausa continuo: &#8220;Estou no Hálito Divino como um nada, ou melhor, menos que nada&#8221;. &#8220;Se na Terra, cada um vive pela Terra, eu sonho viver infinitamente pelo Hálito&#8221;.</p>
<p>Domina-me uma ânsia inexplicável. Esta solidão, esta sombra, esta quietude que parece eterna me faz sentir sempre mais a imperfeição da minha nulidade e esforço minha consciência para que se reencontre.</p>
<p>&#8220;Oh Deus! Oh Luz! Oh Mistério do mistério perfeito! Faz-me digna de Ti, faz com que volte a passar as mais dolorosas e amargas provas, mas encontre o justo caminho e possa alcançar Teu Coração - grito - ou volto a Antera perfeita, ou não mais voltarei&#8221;, de Giuseppe me chega: &#8220;Sempre foste a Antera perfeita&#8221;.</p>
<p>Desoladamente noto: &#8220;Estou sem espada e sem couraça&#8221;.</p>
<p>&#8220;És capaz de vencer sem espada e sem couraça&#8221; - retruca ele.</p>
<p>Como em sonho repito: &#8220;Estou na sombra da luz, sou a luz da sombra&#8221;.</p>
<p>Por vezes as vibrações do pensamento de Giuseppe me alcançam como feixes de ondas, depois desaparecem. Ele diz-me que esta sempre próximo e me pede que fale de mim.</p>
<p>&#8220;Vejo, como um fio luminoso etéreo, longo&#8221;&#8230; Longo&#8230; Longo que me liga ao meu &#8220;eu material&#8221;. Sinto-me fora do tempo, Giuseppe, longe, longe, no espaço sem tempo.</p>
<p>&#8220;Estou à espera de não sei o que e de que coisa&#8221;.</p>
<p>&#8220;Tua força me alcança como tantas centelhas e me mantém ligada a ti&#8221;.</p>
<p>&#8220;Queres que te deixe?&#8221; - pergunta.</p>
<p>&#8220;Não, desejaria somente que estivésseis próximo a mim&#8221;.</p>
<p>&#8220;Mas ali estou com minha mente&#8221; - me assegura.</p>
<p>Depois me abstraio completamente do que é humano e terreno e sinto diluir-se em mim o desejo lancinante de desligar-me de qualquer laço e de flutuar no êxtase supremo. E falando como se fora a mim mesmo exclamo: &#8220;Vejo o limite da luz e não posso alcançá-lo, não posso passá-lo&#8221;.</p>
<p>&#8220;Passa-o - encoraja-me Giuseppe em tom de amor e de força&#8221;.</p>
<p>&#8220;Repele-me - respondo - a potência da sua luz é muito pura e estou, ainda, prisioneira da potência escura&#8221;.</p>
<p>&#8220;Não existe potência que te possa reter ou te repelir&#8221;.</p>
<p>&#8220;Estou Tão triste, perdida neste abismo&#8221;.</p>
<p>&#8220;Mas não existe abismo - grita-me ele&#8221;.</p>
<p>&#8220;Existe, e na eternidade imóvel, não sei se subo ou se mergulho; Ele tem somente uma asa, e Isis se oculta, cobrindo-se com seus próprios véus, por hora é apenas pura expectativa, embora tentando abrir e ver&#8221;.</p>
<p>&#8220;E venceras tranqüila&#8221;.</p>
<p>Não sabia verdadeiramente se subisse ou mergulhasse. Tinha a sensação de estar perenemente em movimento, e também me parecendo estar estática sempre no mesmo ponto.</p>
<p>Repentinamente passou-me perto uma rajada luminosa e iridescente de centelhas. Espetáculo inesquecível, estupendo que o olho não vê, a pena não consegue traduzir, mas somente o espírito percebe.</p>
<p>O que era? Uma fuga de harmonias? Um vôo vibrante, infinito de Sois? Um palpitar de vida que se renova nos abismos cósmicos? Um pensamento divino expresso nos espaços e condensado no vórtice ígneo em fuga vertiginosa atravez dos abismos do tempo?</p>
<p>Como um eco muito longínquo, quase extinto da sombra viva da sua matéria, chegou-me o som da voz de Giuseppe que me pergunta: &#8220;Entraste no Incriado?&#8221;.</p>
<p>Não lhe respondo, mas continuo num intimo colóquio.</p>
<p>&#8220;Por que não posso subir? Por que não posso superar essas trevas e alcançar o mar incandescente da luz radiante? Que obstáculo o impede? Será talvez o peso deste pó que me mantém agarrada ao abismo da vida e das dimensões?&#8221;.</p>
<p>&#8220;Tenho medo de não poder ultrapassar os limites que me impõe a matéria viva e de não poder realizar&#8221;.</p>
<p>&#8220;Não deves ter medo de nada&#8221; - me exorta e encoraja a voz de Giuseppe.</p>
<p>&#8220;Oh Giuseppe, tua voz é muito humana, muito afastada tua força, mas se queres, queima meu corpo, desterra-o, assim não terei mais nenhum vínculo, não terei mais âncoras que me mantenham presa à cruz da existência&#8221;.</p>
<p>Uma voz Divina enche a eternidade. Parece um trovão, como um rio fervente me atinge, sua poderosa harmonia se cristaliza ao meu redor e eu consigo compreender o reflexo de Sua Vontade.</p>
<p>&#8220;Terminaste os sete ciclos e te reencontras no grande espaço da alma universal; Agora deverás superar uma outra prova, sombra da sombra, antes que a grande metamorfose se faça e possas entrar no Todo Imortal e teu espírito cego possa enfrentar a chama dos mistérios&#8221;.</p>
<p>&#8220;Invoca teu guia divino que te dirigiu atravez a harmonia das esferas e Possi o segredo da tua essência e dos teus destinos&#8221;.</p>
<p>&#8220;Agora estás inconsciente no obscuro mistério do não ser, deves, portanto, conquistar a suprema realidade impessoal para poder penetrar na consciência absoluta do Grande Sopro&#8221;.</p>
<p>Compreendi como no Todo Supremo daquele Eterno Presente tudo fosse perceptível e visível, embora sendo despercebido e invisível, próximo e distante e como nele se condensasse o conceito do Alfa e do Omega, principio e fim do Todo e do Nada, imutável e transcendente.</p>
<p>Desejaria que meus olhos mortais não existissem, pois que me submetem à prova, peço que sejam cobertos para poder viver a suprema apoteose.</p>
<p>Ainda pergunto: &#8220;O que devo fazer com este corpo gasto e cego?&#8221; E ouço, ouço de novo na vibração fluídica ressoar o Raio da Mente Emanante.</p>
<p>&#8220;Alma do Espírito Supremo, somente de Ti poderá surgir a rosa sobre a cruz da nova vida, mas para que isto suceda é necessário que ofereças teu coração partindo suas cadeias e destruindo a forma que o aprisiona. É necessário que saibas superar o oceano abismal da vida porque não existem no visível e estas mergulhadas no invisível negativo. Só assim poderás enfrentar e visinuar-te na Eternidade esplendente do Hálito e descansar na beatitude da Única Existência&#8221;.</p>
<p>A Giuseppe que pergunta determino: &#8220;Cobre meu vulto material&#8221; e quando o fez ordeno: &#8220;Descobre meu coração&#8221;.</p>
<p>Agora já sei qual o caminho a percorrer para reencontrar a essência do ser. Agora sei que para alcançar o princípio onipotente da Realidade Única, para fazer parte do Pensamento sem fim, para viver no seu próprio sopro devo anular os limites existentes entre a vida e a morte que me prendem às dimensões.</p>
<p>Sinto meu corpo respirar profundamente. Uma luz como um fulgor me investe. Do abismo tenebroso de Maya rasgou-se o primeiro véu.</p>
<p>Minhas mãos se colocam sobre o plexo solar e isto acalma a dor física que atormenta a forma humana a que estou ligada, que respira ansiosamente.</p>
<p>&#8220;Ouvis a Voz Eterna?&#8221; - pergunto.</p>
<p>&#8220;Vai, Ela diz - o eterno caminho se abriu&#8221;.</p>
<p>&#8220;Aquele, aquele, é o caminho, o caminho eterno? Oh Deus! Que céus refulgentes! Somente além da nossa humanidade dolorosa poderemos gozar de céus assim fulgurantes!&#8221;</p>
<p>&#8220;Coloco decididamente as mãos sobre o coração e tento arrancar o pó luminoso da vida. Repentinamente, vejo uma luz rosa em um tom ofuscante. É o Mestre. É o meu Mestre, a felicidade é tão grande que pensei em chorar humanamente. Ele me proíbe de rasgar o pó da vida&#8221;.</p>
<p>&#8220;Por que desejas que eu esteja ligada ao corpo?&#8221; - &#8220;para que possa transmitir tudo o que viste e sentiste&#8221;.</p>
<p>&#8220;Desejaria que minhas sensações fossem só minhas, gozadas e sofridas na minha imensa solidão, assim longe de Ti, de todos e de tudo&#8221;.</p>
<p>&#8220;Mas sempre te acompanharei&#8221; - me afirma o Mestre.</p>
<p>&#8220;No entanto julguei-Te distante, temia que me tivésseis abandonado num abismo tenebroso&#8221;.</p>
<p>&#8220;Somente porque devias reencontrar tua personalidade e saber renunciar a tudo o que te liga ao planeta&#8221;.</p>
<p>&#8220;Mas nada me liga - apresso-me a responder - nem afetos, nem prazeres. O que devo esperar para deixá-lo?&#8221;.</p>
<p>&#8220;Minha filha predileta&#8221; - me diz o Mestre - durante toda a eternidade agistes para o bem da consciência incondicionada do Movimento abstrato, para que a evolução se cumprisse, e tu colaboraste comigo nos ciclos da existência universal para que a substância cósmica, substancializando a Ideação, realizasse a consciência individual, para depois alcançar o Absoluto.</p>
<p>&#8220;Mas para fazer isto muito caminho ainda é necessário percorrer no universo manifestado. Não basta que o Pensamento Divino se imprima na substancia, não basta que as leis se expressem na natureza dinâmica, mas é necessário realizar o misterioso vínculo entre a Mente e a matéria, entre o principio animador e a manifestação&#8221;.</p>
<p>&#8220;Tu Mãe, Sombra irradiante, na Tua emanação periódica és o primeiro e o sétimo principio e assim deves permanecer radiação primordial, Vida e Morte na atividade cósmica do Grande Espaço. Acima de Ti estará o Espírito que Te animará e a Inteligência que Te guiará&#8221;.</p>
<p>&#8220;És Mãe, a Grande Mãe, és a alegria e a dor, a grandeza e a humildade, o abstrato e o concreto, a potência e a fraqueza. Como podes abandonar teus deveres? Não queres realizar a tarefa que te foi confiada, ainda que te custe todo o sofrimento humano?&#8221;.</p>
<p>&#8220;Sim, desejo fazê-lo e aceitarei Mestre, toda dor. Serena enfrentarei a luta. Porque sou sombra da luz que talvez nunca poderei alcançar&#8230;</p>
<p>O Mestre desapareceu ao longe, sinto meu corpo vivo já putrefeito; sinto seu hálito fétido que me alcança até aqui. Terão, talvez, os efeitos iniciais da decomposição do corpo que deve ter sido abandonado pelo espírito?</p>
<p>A sombra ainda me envolve. O que mais farei se já passei pela prova da vida e da morte, da terra, do fogo, da água e todas as outras?</p>
<p>A Grande Voz fala: &#8220;Saiba subir, saiba realizar, saiba penetrar e superar no reino das ilusões, antes de alcançar o da Realidade&#8221;.</p>
<p>&#8220;Compreendi! Compreendi! - respondo - é o da Sombra, é o da Luz&#8221;.</p>
<p>&#8220;Compreendi! Compreendi! - É necessário saber ser sombra para se tornar luz, Compreendi! Compreendi!&#8221;.</p>
<p>&#8220;Oh Deus meu! Faz com que eu seja a Tua sombra para poder viver na Tua Luz&#8221;! - invoco intensamente.</p>
<p>Apenas sai do meu espírito esta oração, vapores densos, ardentes, chamejantes caem do céu e um turbilhão de nuvens tempestuosas me absorve em uma imensa espiral.</p>
<p>&#8220;Subo Giuseppe&#8221; - grito com ânsia indizível.</p>
<p>&#8220;Vai querida&#8221; - me exorta.</p>
<p>Suporto as trevas tempestuosas cheias de sombras evanescentes, prenha de uma infinita variedade de criaturas efêmeras, dissolvendo-se em fluídos brilhantes, em miríades de reflexos, vaporizados do infinito.</p>
<p>Estou como nada no todo. Estou entre os limites do Nada e do Todo errando no reino das ilusões.</p>
<p>A espiral como uma imensa concha em cujo centro agiganta-se uma iridescente perola cuja luz me ofusca e me atrai. Mas ainda me encontro na zona cinza; mais acima está o esplendor infinito da perola, a perola que vibra:&#8230; Oh! O Mestre está aqui, precedeu-me! Dá ordem a Giuseppe, depois sobe.</p>
<p>&#8220;Oh Mitras! A ti deixo meu corpo. Parto para a roda dos beatos&#8230; ficarei ali até a noite de amanhã. Amanhã, talvez, poderei entrar na grande apoteose&#8221;.</p>
<p>Eis-me de frente ao Imaculado Esplendor da última esfera. Espaços etéreos, infinitos horizontes de safira, raios dourados sobre a ametista de uma imensa aurora que com seus véus azuis sela o grande segredo.</p>
<p>As celestes hierarquias contemplam a eternidade do Seu Poder e na Sua Luz se refletem a vida, os sois, os mundos.</p>
<p>É a expressão da Lei que fluem no Todo com suas divinas harmonias.</p>
<p>O Mistério dos mistérios, a Vontade soberana de que nasceu o Principio flameja à minha frente, me atinge me absorve naqueles Céus onde tem inicio o Espaço Ilimitado, o tempo irrompe do Pensamento e a alma universal sobressalta-se ao supremo augusto chamado de Sopro Divino.</p>
<p>Entro no fulgor da luz imortal, semem luminoso de todos os aspectos universais em que se oculta o Mistério Perfeito.</p>
<p>Quantas vezes ainda deveremos passar no circulo das gerações para que esta suprema felicidade, este êxtase maravilhoso possa ser conquistado eternamente? Quantas vezes deveremos nascer e nos regenerar para achar a luz nas trevas e compreender o Verbo Vivo?</p>
<p>Aparição ofuscante, visão divinamente tremenda que com a espada da Tua Luz me inebrias, embora me consumando com o fogo do Teu Amor, o que desejas desta tua filha, que perdida no Teu Seio, se anula no céu divino do Teu esplendor?</p>
<p>Quem saberá decifrar o Grande Enigma que se reveste de Luz? Quem saberá ressurgir em Deus, chegar a repousar na tua irradiação, embora nas maravilhosas  cadências das tuas leis?</p>
<p>Quem poderá esquecer a maravilhosa visão e a tua divina iniciação recebida conscientemente no supremo santuário das harmonias?</p>
<p>Oh Deus! Perdoa minha alma, faz que o celeste presságio flameje sempre com imortal esperança! Faz com que Tua magnética luz me atraia a Ti eternamente e me absorva no Teu Centro incandescente, onde me possa fundir no maravilhoso, inefável, divino amplexo. Assim seja!</p>
<p>Os limites permitidos pelo Supremo Esplendor tinham sido alcançados. Tinha findado o vôo sublime e o Mistério Perfeito novamente fechava suas asas majestosas. Eu ainda prisioneira das dimensões, ligada pelo pó da vida, tive que deixar o espaço brilhante para emergir no ciclo das necessidades e voltar frêmito da natureza que novamente me absorveu outra vez no dinamismo universal.</p>
<p>Supremo êxtase, suprema felicidade, a lembrança divina acompanhou a rápida descida do meu espírito fazendo-o vibrar nas imutáveis e ignotas harmonias.</p>
<p>Como é mesquinha a palavra para ilustrar, ainda parcialmente, o que este tinha provado. Nenhuma expressão, jamais poderá chegar a traduzir o sentido imponderável do espaço tenebroso ou a exprimir a realidade suprema de ser sem existir de uma minúscula gota de sombra, diluída no raio brilhante da Primeira Aurora.</p>
<p>Mas tu; minha alma sabe e lembra. E quando o supremo sonho aflorar como uma grande ilusão dos planos inalcançáveis lembra o silêncio tenebroso, a vibração da eternidade, a origem divina de toda causa e sempre te reencontrarás.</p>
<p align="right">Yole Fabbri Cambareri</p>
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		<title>Experiência Transcedental 1949</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 1949 18:04:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zari Alkalay</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Experiências pessoais]]></category>

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		<description><![CDATA[7 , de março de 1949.
Parecia-me estar sobre um grande terraço, cujo teto fosse sustentado por leves colunas de estilo grego, em volta das quais plantas multicores emaranhavam-se como espiral perfumada.
Ao redor tudo era sereno, pacato, quase que a candura evanescente das tintas desse a cada aspecto tons maravilhosos, motivo pelo qual tudo adquiria forma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>7 , de março de 1949.</p>
<p>Parecia-me estar sobre um grande terraço, cujo teto fosse sustentado por leves colunas de estilo grego, em volta das quais plantas multicores emaranhavam-se como espiral perfumada.</p>
<p>Ao redor tudo era sereno, pacato, quase que a candura evanescente das tintas desse a cada aspecto tons maravilhosos, motivo pelo qual tudo adquiria forma e cor irreal.</p>
<p>Sentia meu espírito extasiado em face da estupenda beleza daquele local, de onde podia admirar o encantador prodígio de um céu cujo azul infinito, intenso, esplendente me inebriava.</p>
<p>Em frente, ao longe se erguia para os céus os contornos atormentados de uma montanha rochosa e alcantilados como se no seu mundo tormentoso o espasmo desafiasse ou tentasse até ele se elevar.</p>
<p>Em baixo, numa encosta, a parede rochosa perdia-se a pino em um abismo obscuro do qual eu não conseguia perceber o fim.</p>
<p>Um frêmito me sacudiu e tive a sensação de que também o terraço onde me encontrava estivesse suspenso sobre negra voragem.</p>
<p>Estimulada por desconhecida ânsia elevei o olhar como a procura de uma esperança e lá, no cume rochoso da montanha, embora à distância o diminuísse, divisei, iluminado e brilhante, um templo, cuja colunata e o estilo lembravam o Partenon.</p>
<p>Muda, em êxtase, admirava-o elevando uma oração ardente Aquele que tudo nos da quando repentinamente um trovão abafado, subterrâneo, sacudiu a montanha e um vértice flamejante saiu do abismo contorcendo-se ao longo da garganta rochosa. A gigantesca labareda lançou-se em direção ao templo protigando com mil línguas raivosas, avermelhadas e, após telo envolto completamente recolheu sua ira trovejante na voragem, onde desapareceu pouco a pouco.</p>
<p>Mas o templo não mais existia somente algumas colunas partidas, enegrecidas, queimadas, desesperadas como eu mesma me sentia.</p>
<p>Deus meu!! Deus meu!! Por que permitistes que nosso templo fosse destruído e que a humanidade ficasse sem o símbolo do seu espírito?</p>
<p>&#8220;Oh Deus!! - supliquei ajoelhando-me - da as Tuas criaturas a expressão da Tua potencia, faz que elas possam reencontrar o caminho da fé, faz que reconquistem seu templo para glorificar-Te e adorar-Te.</p>
<p>Estava dilacerada de pena. Levantei-me e elevei as mãos para o céu escuro em uma suprema invocação de amor e dedicação.</p>
<p>&#8220;Se minha vida serve para salvar a humanidade, toma-a Oh Pai!!, se minhas dores puderem resgatá-las eu a Ti as ofereço, Oh Deus!!</p>
<p>Dito isto, ajoelhei-me quase a espera de uma resposta. A minha volta todos rezavam.</p>
<p>Subitamente senti-me tocada nas costas pela força viva e palpitante de uma luz que, após me ter envolvido na ofuscante caricia do seu esplendor, fulgurou o espaço, alcançou as rochas a minha frente e investiu contra as ruínas do templo.</p>
<p>Focalizadas no centro do seu halo luminoso estas se acenderam com seu brilhante dourado e refez o templo pouco a pouco em nova forma, simbólica, de uma candura imaculada.</p>
<p>Era redondo, majestoso, colunas altíssimas sustentavam uma cúpula esplendorosa como um sol, cujo milagre de luz realizava e anunciava o prodígio daquela ressurreição.</p>
<p>Uma grande paz parecia banhar todas as cousas em volta e uma alegria sem limites inundava o espírito que elevava a Deus os hinos dos seus reconhecimentos e os agradecimentos daqueles que me circundavam, sempre mais próximos, agora as via a meus pés, quase como se de mim esperassem alguma palavra.</p>
<p>Mas o tempo caminhava sem que eu percebesse sua fuga porque em um dado momento pareceu-me que, embora ficando parada, me afastasse da cena anterior como se fosse ponto magnético da nova obra.</p>
<p>Onde e qual será a terra digna de realizar tão grandioso destino?</p>
<p>Perguntava-me após uma nova e impetuosa procura. Em que parte dessa imensa região se localizará?</p>
<p>E pedia a Deus que me iluminando guiasse meus passos, ou me indicasse com um sinal a Sua vontade. Pensava sempre neste problema perturbador sobre o qual se baseava a nossa afinidade espiritual, quando uma noite, enquanto me embalava naquela espécie de êxtase que parece sono, mas o corpo esta para entregar-se ao sono, um estado de beatitude profunda envolveu meu espírito completamente lúcido, vigilante, dando-me a estranha sensação de ter saído do torpor que me tinha invadido.</p>
<p>Não sei mais se durmo ou estou acordada, e fico à espera. Subitamente, no escuro mais perfeito, porque não vejo luz, parece-me ser lançada através do espaço com velocidade espantosa.</p>
<p>Subo, subo, subo sem descanso e sem me aperceber do porque do meu vôo.</p>
<p>Depois paro e começo a descer com a velocidade anterior. É quase uma caída em um poço escuro e sem fundo, até que diminui a velocidade e começo a perceber a terra em baixo de mim. Entrevejo os montes, os vales e as margens lambidas pelo mar. Paro surpreendida, bem em cima de um altiplano montanhoso cujas escarpadas encostas dominam um vale com seu abraço titânico.</p>
<p>Na planície destaca-se uma espada luminosa circundada por um triangulo também este feito de luz.</p>
<p>Desço ainda mais para certificar-me melhor do que representa aquele símbolo flamejante na sombra. O desenho estranhamente geométrico grava-se como um selo de fogo em minha lembrança e é formado pelo brilhar de mil luzes que iluminam ruas e praças de um conjunto urbanístico cheio de graça, harmônico e de símbolos inconfundíveis.</p>
<p>Admirada, me pergunto que cidade será aquela?</p>
<p>Quando uma voz me faz sobre-saltar. Alguém me esta próximo, talvez aquele que me atraiu e guiou através das trevas espaciais, diz: &#8220;Aquela é a cidade santa de Mickael do Espírito Santo. Olhe-a bem e relembra!!&#8221;</p>
<p>Tremi de alegria e para obedecer àquela ordem sobrevoei a região em um grande giro, procurando reter as particularidades e a conformação dos limites. Quando se destacou uma luz de um monte.</p>
<p>&#8220;É a rainha do ouro, será a luz que te guiará, fixa o seu sinal trino -repete a voz,- segue-a, ela te conduzirá à &#8220;Terra Prometida&#8221;.</p>
<p>Brilhante, uma estrela sulcou velozmente o céu, até que alcançou o cume de uma alta montanha e ali mergulhou com um trovão. Neste momento acordei sobressaltada, incerta sobre a interpretação a dar a minha visão, mas após pouco tempo tive a confirmação que era a resposta a minha súplica - Oh Deus!!</p>
<p>Em uma das viagens ao longo da costa próxima ao Rio de Janeiro, e exatamente depois de Angra dos Reis, tive a revelação que se relacionava ao sonho.</p>
<p>Deveríamos alcançar Parati as três da tarde, no entanto, a viagem de barco que faz a circular ao longo da costa prolongou-se até uma hora da noite.Tudo estava sereno; o mar calmo, as estrelas aos milhões marchetavam o céu fazendo sobressair ao tênue fulgor de sua luz os contornos escuros e montanhosos das margens.</p>
<p>Vi e assim pude distinguir o altiplano sob o qual se estendia o vale beijado pelo mar e no alto, sobre ele brilhando com todo seu fulgor estava uma estrela luminosissima estranhamente triangular.</p>
<p>A mesma estrala vista no sonho ali estava e mostrava-se o caminho, indicava-me o lugar onde minha peregrinarão terminaria e a minha tarefa teria inicio.</p>
<p>Alguns meses depois aquelas terras eram nossas e no dia <strong>29 de setembro de 1950 o Templo do Espírito Santo abria suas portas ao espírito do homem.</strong></p>
<p align="right">Yole Fabbri Cambareri</p>
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		<title>Experiência Transcedental da Fundadora 1939</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jun 1939 17:55:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zari Alkalay</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Experiências pessoais]]></category>

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		<description><![CDATA[Roma, 16 de junho de 1939.
&#8220;Detive-me na sobreira do grande arco radiante&#8221;. Palpitei no frêmito de infinitas centelhas que iluminavam minha alma, penetrando-a. Uma gama de notas fendeu o céu, encheu-o com a harmonia majestosa de seus acordes sempre mais solenes e mais sonoros. Trêmulos tilintar de argênteas campânulas de prata misturavam-se a melodiosa sutil [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left">Roma, 16 de junho de 1939.</p>
<p>&#8220;Detive-me na sobreira do grande arco radiante&#8221;. Palpitei no frêmito de infinitas centelhas que iluminavam minha alma, penetrando-a. Uma gama de notas fendeu o céu, encheu-o com a harmonia majestosa de seus acordes sempre mais solenes e mais sonoros. Trêmulos tilintar de argênteas campânulas de prata misturavam-se a melodiosa sutil caricia de mil harpas vibrantes, de mil dulcíssimos violinos, de mil instrumentos estranhos e encantados.</p>
<p>Tudo era luz, uma luz que feita de som se transformava em vibração divina desconhecida dos humanos.</p>
<p>Tinham-se deixado naquelas áreas sublimes e uma felicidade inefável saturava meu eu que se inebriava daquela musica provocada pelo perpassar do vento, pelo murmúrio das ondas, pelo farfalhar de mil folhas. Originava-se, talvez, do eflúvio perfumado de todas as flores do Criado, levado pelas invisíveis asas de seres misteriosos, maravilhosos, aquele hino de harmonias vindas do espírito?</p>
<p>Naquela moldura de beleza sublime apareceu um anjo esplendido, abre soberbas asas perláceas ao azul de seus olhos serenos, da prateada túnica aos cabelos de ouro como raios de sol, pois que sua cabeça era circundada por uma aura radiante como o astro divino.</p>
<p>&#8220;Vem - sussurrou a minha alma - sou Anael e tu me conheces, pois a mim és ligada pelo eterno destino do Espírito Infinito&#8221;.</p>
<p>Sua voz era um canto e emanava da sua figura em esplendor como fogo&#8230;</p>
<p>Senti frêmitos de alegria.</p>
<p>&#8220;Vem - disse ainda sua Angélica voz e aproximando de mim seu dulcíssimo semblante absorveu-me no oceano fulgurante da sua luz&#8221;.</p>
<p>Parecia-me dormir, mas estava infinitamente feliz. Mergulhada no torvelinho iridescente, senti-me transportada na gama de todos os tons.</p>
<p>Deixei-me invadir daquela musica celestial que tocava as cordas mais altas do sentimento com o tumultuo vibrante de suas notas até a apoteose sonora.</p>
<p>&#8220;Vive tua vida, mas tempera o espírito na luz do amor divino e disse, ainda, a dulcíssima voz do anjo - Eu estarei junto a ti na hora do dever e da luta, e tu venceras&#8230;&#8221;.</p>
<p>Quando o eco da sua voz se extinguiu, a treva me circundava e vertiginosamente eu descia no espaço.</p>
<p>Tinha deixado Saturno.</p>
<p>Oh! Anael, desejo vir para lutar, para cumprir e para vencer junto Aquele que pelo dever lutaram e venceram, para alcançar-te na felicidade infinita&#8230;</p>
<p align="right">Yole Fabbri</p>
<p align="right">&nbsp;</p>
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		<title>Canalização recebida pela Fundadora da Fraternidade</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Aug 1936 15:52:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zari Alkalay</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Experiências pessoais]]></category>

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		<description><![CDATA[Roma, 12 de Agosto de 1936
 “Vai, minha filha, caminha para a luz, embora isto custe ao teu coração dores e sacrifícios, renúncias e lágrimas.”
“Vai, Aquele que deve vir está para descer e tu para Ele serás mãe de espírito e mãe de amor.”
“Seja serena, aqueles que deverão agir para a obra, atuarão inconscientemente e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana" lang="PT-BR">Roma, 12 de Agosto de 1936</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%"> <span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">“Vai, minha filha, caminha para a luz, embora isto custe ao teu coração dores e sacrifícios, renúncias e lágrimas.</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">”<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%"><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">“V</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">ai, Aquele que deve vir está para descer e tu para Ele serás mãe de espírito e mãe de amor.</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">”</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR"><o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%"><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">“</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">Seja serena, aqueles que deverão agir para a obra, atuarão inconscientemente e tudo se tornará verdade, acontecerá no mistério do divino destino para Aquele que será o símbolo da obra e Ele acolherá na Sua humanidade a certeza espiritual do Seu ser e a herança misteriosa dos reinos superiores, e será a esperança do Universo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%"><strong><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">“</span></strong><strong><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">Lutarás por seu puro acontecimento porque rescindira a perdição para conquistar a sabedoria, mas vencerá a ilusão dos sentidos, ascendendo com nova luz as antigas verdades eternas.</span></strong><strong><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">”</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%"><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">“</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">Encerrará a sabedoria do Espírito da Verdade, porque Sua voz devera retumbar alta sob as abóbadas místicas do tempo”. Mas somente do teu tormento desabrochará a forma que de outra maneira perder-se-ia na profunda imensidade da vida, ainda que o sêmen gerador seja oculto pela mascara impenetrável de infinitos destinos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%"><strong><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">“</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">Difícil será compreender a historia dos acontecimentos no segredo hermético que os envolvera”.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%"><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">“</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">Depois aparecera seu irmão. E juntos criarão a historia secreta do mundo plasmada no fogo divino e serão duas colunas da Obra, antes de voltar à suprema sede do seu poder. Um será o coração que palpita na grande harmonia da vida, o Outro o hálito divino do Espírito de Sabedoria que, com a Virginia negatividade, fará fermentar a semente da verdade”.</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR"><o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%"><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR"><o:p> </o:p>“</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana" lang="PT-BR">Vai, quando chegar à hora, filha, falar-te-ei da força negativa, eleita Esposa do Mistério, da Chama e da Sombra, da Luz e da Energia que nasceram em dulcíssimo despertar, do Maximo sonho florido das lagrimas da Grande Mãe”.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt"><strong><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana" lang="PT-BR"><o:p> </o:p></span><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana" lang="PT-BR">“</span>Esta<em> </em>será a lenda mística da <em>Nova Era</em> que como todas, devem nascer das chagas sangrentas da dor e das culpas, porque assim decretou o anjo da evolução e do sofrimento, a fim de que o resgate da humanidade se cumpra ao longo do caminho dos sete tormentos”.</strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana" lang="PT-BR"></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%" align="right"> Recebido por Yole Fabbri</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%">&nbsp;</p>
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