August, 2008

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O Mestre pode construir a sua obra baseando-se somente na fé pura dos irmãos, fazendo deles canais da sua vontade.

O Mestre não fará a obra baseada na fé nos objetivos materiais e sociais, porque estes são perecíveis e passageiros. Ele espera unicamente a fé nas verdades eternas e na presença do espírito que é capaz de entender qualquer situação e resolver qualquer impedimento, exteriorizando de si a presença viva de Deus.

O Mestre nos ensinou a afirmação: Eu sou, Eu posso, Eu quero, Eu realizo em nome de deus. É isso que ele queria que se manifestasse em cada um dos seus discípulos. Deixar de ser uma ovelha para tornar-se homem consciente, imagem e semelhança de Deus.

Na obra do Mestre, cada um deve carregar a consciência de Deus dentro de si. O seu templo deve ser o templo do coração, e os seus estatutos devem ser os ideais vivos do espírito.

É por isso que são necessárias as provas para que cada um de nos descubra o valor real do seu espírito e da sua fé. Não adianta dizer: eu creio na obra do mestre e ao mesmo tempo ficar paralisado e assistir a sua destruição.

O Mestre não precisa de obra humana ou de efeitos materiais na sociedade humana. Ele se esforçou, junto com os fundadores da fraternidade durante as suas vidas de despertar a nossa fé na eternidade da nossa vida, na infinidade das nossas possibilidades e na divindade que se esconde em nos.

Ele disse: Vontade é a suprema expressão do espírito que o conduz à conquistas infinitas.

Mas esta vontade suprema não está nas criticas ou na vã esperança que deus vai fazer um milagre e vai nos entregar a obra feita numa bandeja de prata. Seria muito fácil realizar assim as conquistas infinitas do espírito, ficando apáticos e esperando que as coisas aconteçam por si só.

O teste da nossa fé tem que ser compatível com a era e a sociedade na qual nos vivemos, porque é nela que tem que acontecer a grande transformação.

Quanto vale a nossa vida? eu digo que a nossa vida material não vale nada, ela é perecível e mutável e já sabemos de antemão que cedo ou tarde ela terminará. Mas a nossa vida espiritual, conforme os ensinamentos do Mestre, é eterna e imutável e no caminho da busca interna poderemos realizar conquistas infinitas e ter revelações admiráveis.

Então? Aonde vale mais apena investir? Em que campo é melhor fazer o esforço? No lado material e perecível ou no lado espiritual que é eterno? O mundo material, que é o mundo manifestado, é somente o espelho daquilo que é real e nele se manifesta somente a vontade do Uno. Nenhuma folha se move sem a vontade de Deus, dizia o Mestre.

Vamos deixar essa vontade única, que se manifesta em cada um de nos, cuidar da obra divina. Vamos procurar a unirmos mais a essa vontade e despertar em nosso coração o verdadeiro amor que habita lá. Este amor fará o trabalho.

A obra do Mestre é uma obra de amor e de paz, isenta de POLITICA, e de demonstrações que somos mais inteligentes que os outros. Somos todos iguais, imersos nesta “sopa” de denso astral que é pegajosa e nos arrasta para as profundezas da escuridão e da incompreensão, neste mundo de separatividade e de competição, muitas vezes desleal.

O Mestre declarou numa das orações: “O ciclo da Vida Superior nos atrai, a Hierarquia Celeste nos chama”. Vamos todos seguir este chamado em nosso interior que vem diretamente do centro do universo, sem intermediários e sem interferências. Ele está esperando que batamos em sua porta, para ele responder, ele está pronto de nos ajudar e nos dar conforto e orientação. Ele é o nosso Pai Celestial que espera para nos há milênios.

Chegou a hora de realizar em nos a Nova Era. Aquele que atender o seu chamado será beneficiado enormemente pela ação da Fraternidade Branca Universal sobre a terra.

O Mestre não depende de ninguém e não precisa de ninguém e jamais ele se sujeitará às vontades humanas. Jamais ficará refém dos caprichos de ninguém. Já tem precedentes disso na história da humanidade. Ele é o Supremo, a inteligência máxima em ação e sabe o que deve fazer.

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O homem possui uma tendência inata de separação, talvez pela sua ânsia de conhecer, procurando os esclarecimentos através de uma análise que deve ser feita parceladamente em virtude da sua capacidade limitada de percepção que não pode abranger o Todo de um só golpe, dada a sua situação limitada pelas contingências da matéria.

Por essa razão, classifica todas as coisas, materiais ou imateriais, cata­logando-as em diferentes planos.

Assim agindo, até mesmo os próprios sentimentos são submetidos a esse pro­cesso e o AMOR UNO, o grande AMOR UNO que é a essência da Divindade, que é Deus, porque é a vibração primeira da Sua manifestação, não escapa a essa tendência que o pretende sub-dividir em amores vários, segundo o ser que o manifesta.

Surge, assim, o amor de Deus, o amor do Mestre pelos seus Discípulos e o des­tes por Aquele; o amor do Pai e da Mãe; dos Filhos; dos Irmãos; das Almas Gemeas, dos animais entre si, das plantas; dos minerais; dos seres imateriais: e assim, subseqüentemente, pelos diferen­tes reinos da Criação.

Cada indivíduo possui em si a possi­bilidade de todos esses amores, e em realidade guarda em seu coração esse AMOR UNO, aparentemente diversi­ficado.

Um dia no tempo, após haver fruído todos esses diferentes amores, ele os sente reunidos, amalgamados, e encontra nesta fusão a consciência esclarecida da UNIDADE INDISSOLÚVEL DO AMOR.

Do conhecimento dessa UNIDADE INIDISSOLÜVEL DO AMOR surge a cer­teza do AMOR consciente que é UNO, porque é manifestação sensível de Deus através de Si mesmo na criatura.

É uma grande força esse amor cons­ciente e deverá ser orientada e distri­buída com cuidado para benefício e fe­licidade de toda a Criação.

Aquele que ama desordenadamente causa mais danos que venturas em nome do amor. Ele não tem consciência da sua força e da força de atuação do seu amor. Por essa ignorância sofre e é purificado e redimido pela grande dor que aos poucos levantará o véu da sua inconsciência. Este é o resultado posi­tivo da aplicação negativa do amor.

Aquele que ama conscientemente é semelhante a um acumulador auto-recuperador. Ao distribuir essa benção se reabastece automaticamente sendo, mais e mais, capaz de dar, numa pro­porção sempre mais crescente.

O amor é UNO apesar das suas va­riadas manifestações.

Há o amor de Deus, do Pai, da Mãe, do Filho, do Amante, do Esposo, do Ir­mão, do Amigo, do Inimigo, do Animal, da Flor, do Fruto, do semelhante, enfim, um sem número de manifestações, de aspectos desse AMOR UNO, que é o próprio Deus em cada criatura, buscando aquele Deus, que é Ele mesmo, no seu semelhante, seja a que reino ou catego­ria pertença.

Esse AMOR UNO, quando atinge o seu grau de intensidade pura e quando se dirige ao Mestre, é a profundeza imensa do ser que se abandona a essa sensação inefável de grandiosidade da manifes­tação do próprio Deus. Se no mesmo instante for mudado o ponto de aplica­ção desse AMOR UNO passando-o, por exemplo, para aquele ou aquela que o coração escolheu, ainda é o mesmo AMOR UNO que continua vibrando em toda a sua grandiosidade na manifes­tação ainda do próprio Deus. Esse AMOR UNO que mudou o seu ponto de aplicação e que se manifesta com toda a mesma intensidade; é, para aquele que o recebe, sempre proporcional à sua capacidade de reconhecê-lo.

Quando aquele a quem enviamos o nosso amor conhece e sente a forma dessa dádiva, vibra, então, conosco, e a harmonia se estabelece entre os dois; e isso segundo o ponto de aplicação par­ticular que intensifica aquele sentimen­to e que poderá ser tanto o amor do Mestre para o Discípulo; o do Amante para a sua Amada; o do Pai para o Filho; o do Irmão para sua Irmã; do Homem para a Natureza, enfim, em toda aquela gama infinita de sentimentos que se revela e vive no Cosmos Infinito; em tudo que se manifesta onde o frê­mito da Divina Onipotência deslumbra com a sua Presença.

Se, às vezes, o filho ou o irmão ou o amante não retribui o amor que des­perta é porque não lhe foi possível ainda alcançar e perceber o amor que lhe dedicam e porque vê sempre tudo através do prisma da sua evolução presente. Ele não é pior por isso, mas é preciso aguardar o instante em que a poeira que cobre e empana a sua visão comece a esvanecer-se à medida que o caminho vai sendo percorrido.

E é por isso que a Mãe ou o Mestre amam ainda mais aquele filho ou dis­cípulo transviado.

Sabemos e vivemos a verdade de que o AMOR é sempre UNO.

A Mãe não ama ao seu Filho mais do que este a ela, se ele puder CONHECER o seu AMOR; nem o Mestre ama ao seu Discípulo mais se este puder sentir a profundeza daquela gama puríssima e superior do AMOR UNO manifestado na vibração divina do Seu Espírito Engrandecido. A retribuição do amor do Dis­cípulo ao Mestre será ainda na pro­porção da sua capacidade de compreender e intuir a grandiosidade do AMOR UNO que flameja no Seu Amor.

É imenso o esforço para traduzir em palavras o que o AMOR UNO, pela mão do Divino Mestre, fez brotar e desen­volver no meu Amor.

Rio, 12-8-1949

Antera

Iole Fabbri Cambareri