A busca de Deus se torna cada vez mais insistente na medida em que o buscador avança no caminho espiritual. Para isso ele deve eliminar todos os desejos da mente que o afastam da realidade única que palpita e vibra em sua consciência. A atração pela matéria se torna cada vez mais insignificante enquanto a ânsia pelo saber se amplia, e para realizar-se ele precisa expandir a sua consciência rumo ao infinito ser, esquecendo da sua matéria e da condição em que o seu corpo se encontra. Isto implica na aceitação plena do seu estado atual, espiritualmente, mentalmente e materialmente.

As emoções e a inquietação que são expressões do seu pensamento material devem ser eliminadas e substituídas pelo desejo ardente da paz interior e do amor divino.

Viver em Deus é o único desejo que deve vibrar.

O estado meditativo da alma, no caminho da sua realização, na ânsia de reencontrar a sua identidade divina é precedido de um estado de paz interior onde a mente cessa de alimentar os desejos da vida externa e dos sentidos físicos, pois, ela já chegou ao estado de saturação e ao “cansaço” de querer vibrar nos objetivos materiais, limitados e terrenos. Ela volta a sua atenção ao alto. Neste ponto já está preparada para receber os primeiros raios da sua verdadeira identidade, a revelação interior que faz parte da consciência cósmica universal, a intuição se desperta.

As energias da alma têm a tendência natural de se extravasar através dos sentidos, descendo vibratóriamente, para a matéria, para o mundo sensorial e inquieto, mas na fase inicial do despertar da consciência espiritual começa a subida energética para o alto, para a sua verdadeira identidade espiritual e perene do ser.

Nesta fase de desenvolvimento acontece uma inversão de polaridade que em vez de extravasar-se começa a interiorizar-se. Esta inversão transparece quase imediatamente no comportamento e nas atitudes externas, como se fossem átomos dispersos de ferro que por uma força maior começam a direcionar-se para o norte, formando assim no seu conjunto um imã poderoso.

Todos nós temos uma parcela de Deus dentro de nós, que é a parte mais silenciosa e intima da nossa mente e da nossa personalidade. Somente quando nos voltamos para o interior, direcionando todas as nossas energias e paramos de lançar a atenção para o exterior, que se relacionam ao nosso corpo e à percepção dos cinco sentidos físicos, com as suas emoções, expressão do ego e da personalidade terrena, é que poderemos sentir a presença d’Ele dentro de nós.

No silêncio da nossa alma podemos encher o nosso ser desta luz silenciosa e penetrante que está sempre presente. É dela que podemos extrair o sentimento puro do amor universal. É ela que nos faz compreender todas as coisas e nos dá a intuição pura que dirigi os nossos passos sempre de acordo com a vontade divina, para o caminho que divinamente é o melhor para nós, para o caminho do bem e da auto-realização, mantendo sempre harmonia com todas as criaturas e com a própria missão nesta vida.

Para alcançar o começo deste estado temos que nos voltar para o interior desligar-nos dos sentidos e ficarmos quietos interiormente. Deus faz isto para nós toda vez que nós dormimos. Durante o sono nós vamos para um estado de passividade inconsciente onde carregamos as nossas energias espirituais. Portanto, não é algo estranho.

Zari