Quantas vezes lendo este livro te perguntarão e perguntarás: quem és, centelha de Deus, que escreveste estas páginas? Em virtude de que, vindo aos homens de modo misterioso (mediunico), contrarias aquilo que consideramos uma certeza, dando-nos como farol um ideal diverso daquele que entreviamos, e como estrada um caminho oposto à tortuosa e perigosa viela na qual corríamos como loucos ?Di-me-lo, faisca divina, para que eu tenha a força de seguir com mais facilidade o meu caminho e abandonar as mil dúvidas que me torturam a alma, atingindo a fonte vital do teu amor e da tua ciência.
Pois bem, eu sou tu.
O que aqui fala não é o raio da sabedoria indú, nem alguém a ele preso por um liame de sangue, mas aquele eu que vive em ti e é eterno. Refiro me ao “quid” que te dá vida e que representa a tua vontade; aquela centelha energética que trazes em ti mesmo e que é o agente de todas as tuas ações, pronta a liberar-se para vibrar em toda a sua potência tão pronto tu morras.
Abandona a materialidade e procura em tua razão não aquilo que hoje és, mas aquilo em que te tornarás em um próximo amanhã, e, então, reconhecerás que há em ti qualquer coisa de bem maior que o corpo origem das tuas dúvidas e dos sentidos que te iludem. Busca no teu espírito que é imaterial e imortal; nele também eu estou.
De fato, quem te fala como um outro ser, não é senão uma parte da Grande Chama que tem por nome Deus; um vagalume na imensidade da Criação; um nada em relação à luz do Todo, mas que poderá ser um Todo no Todo.
Quem pois, mais particularmente eu seja diante de ti, homem; que méritos me distingam; que grau haja atingido na evolução do meu espírito, não te pode, ou melhor, não te deve por ora interessar. Porque, mesmo se o soubesses, não o poderíeis compreender; não saberíeis sondar o mistério que trago comigo. Saibas que vim para iluminar-te, porque estavas cego; para guiar-te, porque perdeste o justo caminho. Segui, por risso, a minha luz, tal como caminhaste atrás daquele pirilampo, quando perdido em campo aberto, certo de que ele te conduziria ao lugar desejado.
Desci para convencer-te com o meu amor; para guiar-te com a minha sabedoria; para iluminar-te com a minha ciência. Por ora, não tentes conhecer-me. A ti basta saber: eu sou tu. Mas, cuidado antes de te encheres de orgulho. Um fator essencial impede que sejas, agora, guia e luz dos outros homens. Entre nós há uma diferença : existe um cárcere que aprisiona o teu espirito e a que eu não estou preso. Esta prisão cria te as paixões e os erros fazendo-te crer que podes matar um lagarto cortando-o em pedaços quando, em realidade, ele retornará em novas formas de vida.
Por essa razão procuras descobrir o meu mistério e não te apercebes de que podes encontrar a sua razão de ser em ti mesmo. Tens sede de conhecimento, buscando em livros e onde te for possível, ignorando que a possues desde o instante do teu nascimento e que ela, se contém no íntimo do teu corpo. O meu é livre e, por isso, não existem obstáculos ao seu saber.
Ainda por esse motivo, “Eu sou”, para ti que afanosamente me buscas e me lês, luz, ciência, guia.
E é inútil, é mortal, que cries dúvidas ou fantasias em torno da minha essência; inútil a ação de cada teu pensamento e cada juízo teu.
Há um véu que, como uma cortina, divide o mundo do espírito e o da matéria. Ele impede o homem de avaliar convenientemente aquilo que para ele nem mesmo existiria se fenómenos simples ou complexos não tivessem indiscutível e repetidamente demonstrado a realidade: são as manifestações sobrevindas durante os séculos, que se poderiam reunir em uma série imensa, das criaturas Angélicas às diabólicas.
Não é permitido ainda à humanidade poder indagar os mistérios do além túmulo: os olhos mortais não são capazes de tanto. A vida outra coisa não é se não uma força da qual a morte é um simples estágio; mas, para além dela existem inúmeras manifestações da sua energia.
Há um mundo que revela os seus multiplos aspectos, mostrando claramente que a alma não se cria com o nascimento e não se extingue com a morte, mas que é uma força superior ao corpo, e em cujo interior realiza uma etapa da sua evolução.
A força vital, a energia motriz da vida terrena não está sujeita a perecimentos. Tendes, a testemunhar esta verdade, milhares de manifestações em que pudestes constatar que a cadeia dos seres não para no homem, mas prossegue para além. Diante da grandiosidade do mundo espiritual, que outra coisa poderá o homem fazer, se não tentar esclarecer o mistério da sua existência, detendo-se na maioria das vezes, aturdido pelo incomensurável ignoto, quase como a caracterizar por este modo a fraqueza daquela humanidade em cujo seio ele vive e à qual pertence?
Existe a realidade magnifica de um mundo imaterial e superior, onde cada alma tem o seu lugar e a sua razão de ser; onde há uma infinita Hierarquia de Essências mais ou menos eleitas, e cada uma delas faz parte do Infinito.
Também eu sou, pois, uma pequena parte do Todo, representando no Todo a minha parte para incitar, como exemplo e com o amor o vosso espírito.
* * *
O homem não deve negar aquilo que intue como real somente porque sua razão não pode precisamente se aperceber: no mistério do invisível palpita a realidade mais bela, porque aí se abandona o reino da matéria para aproximar-se de Deus.
Seria o mesmo que, havendo connhecido as ondas hertezianas (Hertz), quizesseis negar a sua existência unicamente porque os vossos olhos não as podem ver e os sentidos perceber. Elas não somente existem como se revelam por meio dos vossos aparelhos receptores.
Poderás negar que Lucifer tem a possibilidade de apresentar-se como anjo de luz resplendente em beleza e doçura; mas se de fato a ele se atribue a faculdade de tomar forma,
porque não admitir que uma força maior possa manifestar-se para dar e oferecer a doçura de um conforto ou incitamento que vos impulsione para superar a batalha da vida?
Não veríeis certamente um Lucifer sofrer por vós, ensinando-vos o caminho a seguir e fazendo-vos entrever a meta luminosa; voltai-vos para traz nos séculos e, se a vossa incredulidade vos impõe, prescrutai: dizei-me quantos e quais são os acontecimentos realizados pela evolução do género humano, em que se manifestaram como protagonistas as essências diabólicas.
Não queirais a todo custo ser cegos, é preciso observar e, quando necessário, acreditar. E, então, se admitis (pois seria, de resto, tolice não o fazerdes) que um Espírito Eleito possa comunicar-se convosco para dar-vos a doçura do conforto e a dádiva da luz, não deveis desprezar aqueles que possuindo o dom da receptividade, mesmo que se achem em humilde condição humana, possam guiar-vos; nem deveis negar que aquele que é dotado de tal faculdade possa ser capaz de iluminar as mentes dos homens, ainda que não vista o hábito talar.
Julgais verdadeiro um fenómeno do espírito somente se ele se manifestar dentro das paredes de um claustro?
Também a Sagrada Escritura fala continuamente de manifestações espirituais angélicas, que, sem dificuldades admitis, apesar de não poderdes submetê-las a um exame, visto não haverdes estado presentes no instante da sua realização. Considerais, talvez, como verdadeiro, unicamente aquilo que se processa sob os vossos olhos ?
Quem eram Noé, Moisés, Jacó, Jó, Elias, Josué, Jedeão, Daniel, Esaú, Isaias, Joana D’Arc, Davi, São José, Maria Santíssima, se não seres eleitos visitados por espíritos eleitos ?
Uma grande aurora se desenha evanescente, auspiciadora de uma grande promessa para o género humano: é o clarão da luz divina que, nos séculos, foi dada ao homem.
Para iluminar o homem é que eu falo: dito os princípios das sublimes verdades para o progresso do género humano guiando aqueles que estão prontos a olhar para o alto e amam a evidência dos fatos, enquanto marcham para o futuro com a sede do saber que acende e torna aguda a sua inteligência. Para os outros que não querem nem observar, nem refletir, nem raciocinar, nem estudar porque são indignos de luz e de progresso, a minha palavra seja de advertimento e de encorajamento.
Desci para aditar o novo caminho; faço parte de Deus, e, porisso, “EU SOU”.
ERGOS (”Sapienza Mondo Astrale”)
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