Uma experiência pessoal
Pare.
Pare onde você está.
Dissolva o pensamento e mergulhe no mais intimo, no mar da vida que está em você, que é você mesmo. Não pense! Não pense nada, apenas sinta, sinta a você, sinta o que é você, perceba a inteligência em você. Você é a inteligência, você está na inteligência. A onda cósmica da inteligência está em você. Você imerge naquilo que te criou, você faz parte da inteligência universal, que está em tudo e em todos.
Na realidade nada existe, você é um átomo de Deus. Aquele Deus que está no todo e sabe tudo. Aquele Deus que é a natureza material e cósmica e que dá vida a cada átomo e a cada célula. Por isso cada célula sabe, tem consciência da vida, sabe o que fazer e como agir, tem atitude própria e personalidade autônoma dada a ela pela força suprema que permeia tudo e todos.
Eu mergulho neste todo que na realidade é o nada, porque todo o pensamento se dissolve nele e se anula. Só existe uma personalidade, a personalidade cósmica que não tem nenhum limite, que não tem personalidade circunscrita, mas age como um todo consciente e de acordo com a inteligência universal que é ele mesmo, algo que não concebe limite, algo sem conceitos pré definidos. O abismo, que é o vazio, onde só pode vibrar a luz que é Deus, que é o todo que se expressa infinitamente em todas as coisas.
Não podemos criar conceitos de nada porque tudo é verdade, tudo é cósmico, tudo é amor que brota do nada que se funde com todas as coisas que na mente divina são ilusão, são ondas passageiras que explodem como estrelas e hão de voltar para o nada absoluto que ao mesmo tempo está em todo lugar e em cada pensamento, e brota em cada sentimento como amor que permite a existência de tudo, porque tudo é Deus.
Eu me dissolvo neste todo para ser nada. O nada é a felicidade absoluta. O nada é a suprema forma de ser porque está diluído no todo já que não tem forma e não tem tamanho.
O nada é o ideal de ser, o nada é a paz, o nada é a segurança. O nada é a certeza que por trás dele não há outra coisa se não ele mesmo e Deus está nisso, na anulação de si mesmo, na paz que está por trás das coisas e dos conceitos que são efêmeros e passageiros. Todos os conceitos juntos são a verdade. Não há verdade em que se possa pensar, porque qualquer pensamento é relativo, brota do nada e se refere ao mundo relativo e finito. A verdade é para ser sentida, a verdade é para ser vivida e concebida na paz do nada infinito anulando a sua própria existência e ressurgindo com vigor renovado em todas as formas e expressões. O nada é o âmago do todo e nele se anula qualquer forma para voltar ao mar infinito de paz.
A sensação é o mundo do relativo, é a expressão do tempo, é fugaz. Não acredite na sensação, não acredite no pensamento como coisa final porque ele não é concreto, é apenas uma fumaça colorida que se desvanece no tempo, que não tem começo nem fim.
Sinta apenas a inteligência que brota do nada. Sinta a impersonalidade do todo que exprime a beleza e a pureza do infinito que está em todo lugar e em cada coisa.
Anule-se para ser, rasgue os limites da sua personalidade interior para se tornar expressão do nada universal, inteligência cósmica do todo.
Ser puro significa ser vazio, sem conceitos, como criança que não tem pensamentos, que é produto do todo universal e inteligente, e sabe funcionar pela força desta inteligência expressa em cada célula e em cada combinação dos órgãos pensantes e agentes, que são expressão do próprio Deus, presente em cada célula.
Eu me anulo no nada, reconheço dentro de mim o todo. Sou um pensamento fugaz criado por uma força poderosa que faz parte de mim e nela dissolvo o resto da personalidade do meu karma humano. Quero ser como o vento que é invisível aos meus sentidos, mas que sei que existe. Quero ser o vento para dissolver-me no infinito e diluir-me na natureza que é o amor que sustenta a expressão do meu ser.
A inteligência cósmica está em mim, nada posso fazer para evitá-la. Ela se expressa em mim e é a única fonte do saber. O conhecimento é a aglomeração de células criadas pelo infinito e somente a inteligência universal pode organizá-las em formas mais complexas e harmônicas, por isso me entrego à inteligência universal. Dissolvo-me no éter universal para tornar me nada, participe consciente do todo.
Os meus sentidos são relativos. A sua percepção é relativa e só serve para o mundo relativo. Se eu estou num quarto, os meus olhos servem só para me orientar dentro deste quarto, enquanto que a minha consciência é cósmica e está em todos os lugares ao mesmo tempo. Enquanto os meus olhos enxergam as paredes do meu quarto, a minha consciência me dá a visão do todo universal e da razão pela qual encontro-me neste quarto. Enquanto os olhos me dão a visão do presente, a minha consciência me mostra o passado, o presente e o futuro ao mesmo tempo. Os meus olhos, como os meus outros sentidos são limitados pelo tempo e pelo espaço enquanto a consciência é ilimitada e penetra todas as coisas, o espaço e o vazio, o passado, o presente e o futuro.
Eu sou o nada que vagueia no espaço do todo, mas encontro a minha paz no vazio absoluto onde não há acontecimentos, onde não há sentidos, onde a única percepção é a certeza de ser e a única vontade é de agir, brotando do nada com o amor que cobre todas as coisa criadas. Amor que é fogo, quando se manifesta no pensamento.
Vida interior é estar no silêncio e observar os próprios pensamentos. Vida interior é não querer nada e ser apenas observador do que acontece em volta, sem comentários e sem colocações, aceitando tudo como expressão do próprio Deus.
Você deve ser o âmago deste Deus que se expressa no Todo e é o próprio Todo. Ele não se expressa através do todo, ELE É o próprio todo e você, colocando-se como observador, enxerga impessoalmente todas as suas ações e vontades.
Coloque-se no ponto mais elevado de observação, o ponto que aceita tudo e não interfere em nada (como se fosse o topo da pirâmide) e é lá que você vai receber toda a sabedoria divina, porque é lá que você vai se unir com o divino. Lá no alto onde você não vai permitir nenhum pensamento vibrar ou chegar a você, coloque-se no silencio que é a força mais sábia dos sábios, aquela força que observa tudo, escuta tudo e aceita tudo e permanece no silêncio sem comentários. É lá neste ponto impessoal e mudo que brota o conhecimento e a compreensão. Porque se Deus aceita tudo, quem é você que não vai aceitar, quem é você que por ventura vai querer corrigir as coisas ditas ou feitas? Por ventura alguém te colocou como juiz? Ou professor? Ou então como aquele que indica o caminho da verdade?…
Por isso, seja juiz apenas das tuas ações, somente a Deus compete julgar. Observe silenciosamente e compreenda a sabedoria excelsa penetrando na inteligência universal do silêncio, da observação e, portanto, da paz. Seja uno com o todo que aceita tudo, mas ao mesmo tempo sinta-se parte desta inteligência universal, absorva-a, vivencia-a sensivelmente, anulando os teus conceitos pré-moldados e pré-concebidos. Seja eterno no eterno presente, onde tudo se cria pela vontade, mas se anula pela vontade, voltando para a paz e para o ponto de partida que é o símbolo do ser e do querer.
Respirar calmamente, respirar para Deus, respirar para dentro de você, respirar para o âmago do teu centro de luz, respirar para Deus que é o ponto central do teu interior. É para ele que voltam todas as coisas, é nele que a respiração devolve as suas energias, é ele que atrai a força de viver e de respirar, penetrando no âmago do seu ser.
Zari




2006/02/03 10:50 ::


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