Estes dois símbolos representam a gama completa da nossa vida e da nossa existência, os dois extremos da manifestação da divindade, o Cálice o “querer receber”,,  próprio do ego material  e, a Cruz o “querer dar”, próprio do espírito.

O Cálice é o raio verde do arcanjo Rafael – A Cruz é o raio violeta do arcanjo Uriel.

O Cálice expressa o estado “vazio” e receptivo da nossa mente inferior, a ânsia do saber da nossa manifestação material, pronta para receber a sabedoria divina através da faculdade de querer receber, por isso o cálice tem o formato de um recipiente que será preenchido com o “sangue da vida” isto é, a experiência através da dor e do superamento.

O ego material representa um terreno fértil e plano sobre o qual a vontade divina lançará a semente da sabedoria e do conhecimento, mas, esta semente só brotará através do próprio esforço “Com o suor do teu rosto, comerás o teu pão”. O “querer receber” é o impulso primordial do espírito que está manifestado na sombra, a vontade de querer receber a Luz, a busca de Deus, a busca da verdade e a ânsia de alcançar os níveis mais elevados da divindade.

O Cálice representa a sabedoria divina, o conhecimento global da vida e da morte, das coisas criadas e incriadas, da manifestação da vida, através do extremo inferior do nosso ser, a nossa manifestação material.

Identificar-se com o Cálice, o raio do arcanjo Rafael, significa aceitar e receber dentro de si o conhecimento da lei do espírito, inundar a própria vida com o néctar supremo do conhecimento de todas as causas e de todos os efeitos, conhecer e saber a lei que é o elixir amargo, mas purificador para o ego material. Aprender a necessidade do auto sacrifício através da aquisição da sabedoria universal.

O Símbolo do Cálice representa a conquista máxima do saber, alcançando a onisciência, raio manifestado do Arcanjo Rafael, portador da sabedoria universal, cura de todos os males.

Adquire-se o conhecimento das leis divinas que se manifestam em nosso ser inferior e superior pela ação da lei do Karma universal que conduz o ser humano ao reconhecimento da unidade universal, ao despertar da consciência do ser interior, partícipe da Força Única que palpita no universo, raio da Vontade do Pai, única manifestação no universo criado.

Na busca da sua identidade real, o ser humano compreende finalmente que faz parte integrante da humanidade e nada pode separá-lo do resto dos homens, a sua evolução poderá continuar somente quando os seus irmãos, perdidos nas trevas, tiverem também a salvação pelo conhecimento (sabedoria) e pelo despertar.

Quando o ser espiritual, peregrino da vida, se dá conta que ele é uma parte integrante e inseparável do Todo e a sua ajuda é necessária para a salvação dos seus irmãos  que ainda estão nas trevas, ele começa despertar um novo estado de consciência “o querer dar”, a oferta de si mesmo, o impulso para o auto sacrifício. Ele abre os seus braços em forma do símbolo da Cruz para oferecer a si mesmo como instrumento do raio de Uriel, tornando se mártir para a causa divina, entregando-se conscientemente em benefício da transmutação do karma planetário.

Depois de realizar dentro de si o Símbolo do Cálice, adquirindo a sabedoria divina, compreende agora que o único caminho a seguir é a aquisição do Símbolo da Cruz em sua personalidade, realizando em seu espírito o ato do sacrifício supremo, a oferta de si mesmo para que a evolução se faça, entregando-se a Deus para ser partícipe do trabalho impessoal da Obra divina, deste modo o seu ego perde-se na impessoalidade divina, entrega-se à força suprema que o tornará algo mais que um ser humano, um raio da própria divindade.

Mas, para que isto aconteça é necessário destruir por completo o resto da personalidade humana que sobrou, é preciso que a sua vida se torne uma “chama acesa sobre o altar da vida”, oferecendo tudo de si para a obra do Ser supremo, tornando o seu “eu” um símbolo vivente do sacrifício e do bem.

O símbolo da Cruz, portanto, é o símbolo do sacrifício supremo onde a personalidade humana, por mais dócil e amável que seja, através da oferta de si mesmo é expandida infinitamente até perder a própria identidade no pensamento divino e impessoal.

Este é o caminho do reencontro, o caminho da auto-realização do finito – o ego material, rumo a sua divina origem – o espírito infinito, impessoal.

Os Símbolos do Cálice e da Cruz representam a etapa “humana” deste caminho. A partir do primeiro despertar da consciência quando o espírito encarnado volve o seu olhar para o universo, o infinito todo, e mesmo na sua inconsciência manifesta a ânsia de saber e faz as primeiras perguntas,  “quem sou eu?”, “de onde venho?”, ele acaba de penetrar no raio verde do Cálice e até que ele  não preencha o seu vazio, o “cálice” interior que tem a sede do saber, ele não terá sossego.

Depois de milênios de experiências, depois de inúmeras lutas e conquistas quando alcança O Saber, o raio excelso do arcanjo Rafael, ele compreende então que o seu caminho não terminou. Agora, depois da conquista do saber, depois de conhecer as causas e os efeitos, ele sabe que tem que arregaçar as mangas, atravessar a outra margem da vida e oferecer-se como partícipe do Todo ingressando no exercito divino para  lutar, auto-sacrificando-se pela causa divina. Somente então poderá deixar a sua humanidade, somente com o holocausto de si mesmo poderá queimar os aguilhões que sobraram do seu ego material, do seu egoísmo que o afastou por tantos séculos da sua casa suprema, do seu lar espiritual.

O símbolo da Cruz é a manifestação suprema da oferta do ser humano que se entregou totalmente à Obra divina e entra no caminho da divindade deixando para trás a sua forma egóica para abraçar os quatro cantos do universo, a consciência universal manifestada pela Cruz da vida.

Oferecer-se a si mesmo, receber a força impessoal de Deus, transmutando em si todas as células pela força do raio violeta, significa estar em harmonia com o Todo, com o  plano divino, com toda a natureza, interna e externa, significa o abandono do mundo dos desejos para entrar na consciência do Ser único, universal, fazer desabrochar em si, apesar dos  sofrimentos do seu ser encarnado, a rosa perfeita da consciência cósmica.

Por isso irmãos elevemos o nosso pensamento e roguemos ao Ser supremo que inunde o nosso ser com o seu raio violeta para purificar o nosso “eu” que outrora caiu nas trevas mas agora vibra na ânsia de reencontrar-se e ressurgir à luz e ser partícipe do absoluto.

       04-2003   Irmão Zari