Cada pessoa tem a sua personalidade que é composta de diversas características, e expressa a vontade do seu “eu” através da mente. A mente, por sua vez, usa a memória para fixar os seus conceitos (ou preconceitos).

A personalidade, que é composta das características da mente, representa a armadura entre o Ser (o Eu interior) e o mundo externo. Ela constrói mecanismos de autodefesa para poder manter a sua integridade (unidade consciente).

A partir do nosso nascimento começamos a formar, com a ajuda dos nossos genitores, a imagem mental daquilo que será, para esta encarnação, “a realidade”, e nela acreditamos como “a única” na medida que alcançamos a maturidade.

A nossa mente junto com os cinco sentidos físicos são apenas ferramentas que usamos para nos comunicar com o mundo externo e criar a sensação desta “realidade”.

O espírito, por sua vez, que é o Eu interior tem como meios de comunicação a armadura da personalidade e os liames ocultos, tênues, que o ligam com o mundo espiritual. Estes liames, que para expressar-se, tem que atravessar a couraça da mente inferior com os seus conceitos dependem das conquistas realizadas no seu extenso passado, que deixaram as marcas da experiência com forte carga energética e sutil.

Os espíritos maduros usam a faculdade da imaginação, dos ideais elevados e da capacidade de “sonhar”, meditar e contemplar os planos elevados da mente espiritual (lição de Ramasar sobre a mente inferior e mente superior).

 
   

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Para que nós possamos viver livremente na consciência espiritual, é necessário primeiro atravessar as camadas densas da mente inferior, pois o Eu interior (o espírito) tem “vida” independente.

Somente aqueles que tiveram amadurecimento em sua vida espiritual, e que conquistaram através das vidas passadas, uma sensibilidade interior, começam a sentir que há algo além desta realidade material. Quero frisar que a sensação primaria da realidade da vida espiritual não pode ser adquirida apenas através de leitura ou estudo didático . É uma sensibilidade interna que nasce com o indivíduo e faz dele um ser “escolhido”, “diferente” dos outros, que tem os pés fincados demais na vida material.

A leitura e os estudos didáticos assim como a meditação e a interiorização podem sim estimular o despertar naquele que a semente do espírito está pronta para brotar.

As antigas emoções e sensações vividas no seu distante passado vêm a ele inicialmente, em forma de lampejos, e fortalecem a sua ânsia de prosseguir neste caminho de busca que sempre parte do interior.

Por isso é necessário e importante a interiorização, fixar a atenção dentro de si mesmo, e na sua sensibilidade, procurando ai as raízes da sua essência. Se o indivíduo não as sente é inútil que as busque em outro lugar.

Aqueles que não tiveram amadurecimento do seu espírito, intensas experiências anteriores de superamento e conquistas espirituais, que o seu coração está ainda endurecido pelo egoísmo e pela materialidade, terão que esperar até sugarem a seiva da terra, aprender a lei da dor e conquistar as virtudes do amor e fraternidade,.

Voltando à mente que forma a couraça da personalidade; o sentido de autodefesa instintiva, animal, se expressa sutilmente, de forma sofisticada, devido à evolução e à experiência do indivíduo. Toda a sua inteligência é empregada neste sentido; ela toma diversas formas que nós chamamos de: orgulho, prepotência, vaidade e as vezes, megalomania e é claro que aquele que acredita na realidade material como única, procurará sempre que puder, a satisfação dos sentidos físicos, ligados diretamente aos impulsos animais do astral inferior.

Somente a força da vontade, instruída de forma erudita e didática, rodeada de sentimentos de medo do desconhecido, pouco pode fazer para um verdadeiro progresso espiritual.

Para alcançar o estado da consciência cósmica, o liame com a própria centelha energética espiritual, é necessário o domínio absoluto do ego terreno e a transmutação da mente inferior. Esta tarefa pode ser alcançada somente pelos espíritos fortes e íntegros, senhores de si mesmos e das sete virtudes transcendentais.

A cada passo que se avança, o eu interior sente e sabe que está mais perto do “Rio da Vida”, e quando ele estiver imbuído de fé, sentirá o impulso do próprio espírito e da vontade que vem do seu interior impulsionando o rumo a realização de si mesmo.

Por isso é necessário unir a própria sensibilidade interior ao esforço mental e físico para alcançar o mérito de entrar no caminho do espírito. Se não usarmos a própria consciência para o avanço do nosso eu, estaremos sempre cegos e dependendo de um apoio externo, isto é, uma bengala para podermos caminhar.

Existe uma vasta sabedoria que provem dos nossos antepassados assim como as grandes lições do Mestre Ergos que foram ofertadas no limiar da nova era e que podem nos conduzir a uma auto realização espiritual. O Dodecálogo é um desses marcos no limiar da era de Aquário. Todos os 12 mandamentos indicam o uso da própria consciência e do auto reconhecimento, não mais seguindo um novo dogma, credo ou religião.

Porem, somente aquele que souber absorver os ensinamentos com o próprio espírito, compreendendo-os com a sua sensibilidade interior, poderá fazer proveito deles. É necessário merecer para receber e compreender. A primeira condição do mérito é a sinceridade, digo a sinceridade consigo mesmo, e para isso é necessário despojar-se, primeiramente, de todos os preconceitos, de toda a “erudição” e dos pseudo conhecimentos que podem formar uma grande nebulosidade diante da realidade do espírito.

É necessário saber usar o coração, a sensibilidade interior que é o próprio espírito, sem a interferência da mente, sem a inclusão do ego terreno com a sua vaidade e os seus preconceitos. Aquele que venceu a barreira da mente se sente relaxado, livre para circular e mudar de forma, se for necessário. Para poder assimilar completamente uma idéia espiritual, abstrata, que vem dos mundos invisíveis e sem forma terrena, é preciso libertar-se do mundo das formas, pois a forma é a própria mente, é a personalidade expressa que representa impacto no mundo das aparências, mas que tem também os dias contados porque está sujeita à lei do grande Karma.

Tudo aquilo que é eterno e absoluto só pode ser concebido com o próprio espírito que faz parte do eterno e para Ter tal propriedade deve perder por completo a sua forma tanto física como emocional ou mental.

O vislumbre da vida eterna vem somente quando uma parte de nós se anula e se torna “O nada” e abre brecha para um mundo invisível e impalpável para a mente, que somente o espírito pode experimentar e que está além do plano da criação.

Irmão Zari

Com inspiração de Ramasar