7 , de março de 1949.

Parecia-me estar sobre um grande terraço, cujo teto fosse sustentado por leves colunas de estilo grego, em volta das quais plantas multicores emaranhavam-se como espiral perfumada.

Ao redor tudo era sereno, pacato, quase que a candura evanescente das tintas desse a cada aspecto tons maravilhosos, motivo pelo qual tudo adquiria forma e cor irreal.

Sentia meu espírito extasiado em face da estupenda beleza daquele local, de onde podia admirar o encantador prodígio de um céu cujo azul infinito, intenso, esplendente me inebriava.

Em frente, ao longe se erguia para os céus os contornos atormentados de uma montanha rochosa e alcantilados como se no seu mundo tormentoso o espasmo desafiasse ou tentasse até ele se elevar.

Em baixo, numa encosta, a parede rochosa perdia-se a pino em um abismo obscuro do qual eu não conseguia perceber o fim.

Um frêmito me sacudiu e tive a sensação de que também o terraço onde me encontrava estivesse suspenso sobre negra voragem.

Estimulada por desconhecida ânsia elevei o olhar como a procura de uma esperança e lá, no cume rochoso da montanha, embora à distância o diminuísse, divisei, iluminado e brilhante, um templo, cuja colunata e o estilo lembravam o Partenon.

Muda, em êxtase, admirava-o elevando uma oração ardente Aquele que tudo nos da quando repentinamente um trovão abafado, subterrâneo, sacudiu a montanha e um vértice flamejante saiu do abismo contorcendo-se ao longo da garganta rochosa. A gigantesca labareda lançou-se em direção ao templo protigando com mil línguas raivosas, avermelhadas e, após telo envolto completamente recolheu sua ira trovejante na voragem, onde desapareceu pouco a pouco.

Mas o templo não mais existia somente algumas colunas partidas, enegrecidas, queimadas, desesperadas como eu mesma me sentia.

Deus meu!! Deus meu!! Por que permitistes que nosso templo fosse destruído e que a humanidade ficasse sem o símbolo do seu espírito?

“Oh Deus!! – supliquei ajoelhando-me – da as Tuas criaturas a expressão da Tua potencia, faz que elas possam reencontrar o caminho da fé, faz que reconquistem seu templo para glorificar-Te e adorar-Te.

Estava dilacerada de pena. Levantei-me e elevei as mãos para o céu escuro em uma suprema invocação de amor e dedicação.

“Se minha vida serve para salvar a humanidade, toma-a Oh Pai!!, se minhas dores puderem resgatá-las eu a Ti as ofereço, Oh Deus!!

Dito isto, ajoelhei-me quase a espera de uma resposta. A minha volta todos rezavam.

Subitamente senti-me tocada nas costas pela força viva e palpitante de uma luz que, após me ter envolvido na ofuscante caricia do seu esplendor, fulgurou o espaço, alcançou as rochas a minha frente e investiu contra as ruínas do templo.

Focalizadas no centro do seu halo luminoso estas se acenderam com seu brilhante dourado e refez o templo pouco a pouco em nova forma, simbólica, de uma candura imaculada.

Era redondo, majestoso, colunas altíssimas sustentavam uma cúpula esplendorosa como um sol, cujo milagre de luz realizava e anunciava o prodígio daquela ressurreição.

Uma grande paz parecia banhar todas as cousas em volta e uma alegria sem limites inundava o espírito que elevava a Deus os hinos dos seus reconhecimentos e os agradecimentos daqueles que me circundavam, sempre mais próximos, agora as via a meus pés, quase como se de mim esperassem alguma palavra.

Mas o tempo caminhava sem que eu percebesse sua fuga porque em um dado momento pareceu-me que, embora ficando parada, me afastasse da cena anterior como se fosse ponto magnético da nova obra.

Onde e qual será a terra digna de realizar tão grandioso destino?

Perguntava-me após uma nova e impetuosa procura. Em que parte dessa imensa região se localizará?

E pedia a Deus que me iluminando guiasse meus passos, ou me indicasse com um sinal a Sua vontade. Pensava sempre neste problema perturbador sobre o qual se baseava a nossa afinidade espiritual, quando uma noite, enquanto me embalava naquela espécie de êxtase que parece sono, mas o corpo esta para entregar-se ao sono, um estado de beatitude profunda envolveu meu espírito completamente lúcido, vigilante, dando-me a estranha sensação de ter saído do torpor que me tinha invadido.

Não sei mais se durmo ou estou acordada, e fico à espera. Subitamente, no escuro mais perfeito, porque não vejo luz, parece-me ser lançada através do espaço com velocidade espantosa.

Subo, subo, subo sem descanso e sem me aperceber do porque do meu vôo.

Depois paro e começo a descer com a velocidade anterior. É quase uma caída em um poço escuro e sem fundo, até que diminui a velocidade e começo a perceber a terra em baixo de mim. Entrevejo os montes, os vales e as margens lambidas pelo mar. Paro surpreendida, bem em cima de um altiplano montanhoso cujas escarpadas encostas dominam um vale com seu abraço titânico.

Na planície destaca-se uma espada luminosa circundada por um triangulo também este feito de luz.

Desço ainda mais para certificar-me melhor do que representa aquele símbolo flamejante na sombra. O desenho estranhamente geométrico grava-se como um selo de fogo em minha lembrança e é formado pelo brilhar de mil luzes que iluminam ruas e praças de um conjunto urbanístico cheio de graça, harmônico e de símbolos inconfundíveis.

Admirada, me pergunto que cidade será aquela?

Quando uma voz me faz sobre-saltar. Alguém me esta próximo, talvez aquele que me atraiu e guiou através das trevas espaciais, diz: “Aquela é a cidade santa de Mickael do Espírito Santo. Olhe-a bem e relembra!!”

Tremi de alegria e para obedecer àquela ordem sobrevoei a região em um grande giro, procurando reter as particularidades e a conformação dos limites. Quando se destacou uma luz de um monte.

“É a rainha do ouro, será a luz que te guiará, fixa o seu sinal trino -repete a voz,- segue-a, ela te conduzirá à “Terra Prometida”.

Brilhante, uma estrela sulcou velozmente o céu, até que alcançou o cume de uma alta montanha e ali mergulhou com um trovão. Neste momento acordei sobressaltada, incerta sobre a interpretação a dar a minha visão, mas após pouco tempo tive a confirmação que era a resposta a minha súplica – Oh Deus!!

Em uma das viagens ao longo da costa próxima ao Rio de Janeiro, e exatamente depois de Angra dos Reis, tive a revelação que se relacionava ao sonho.

Deveríamos alcançar Parati as três da tarde, no entanto, a viagem de barco que faz a circular ao longo da costa prolongou-se até uma hora da noite.Tudo estava sereno; o mar calmo, as estrelas aos milhões marchetavam o céu fazendo sobressair ao tênue fulgor de sua luz os contornos escuros e montanhosos das margens.

Vi e assim pude distinguir o altiplano sob o qual se estendia o vale beijado pelo mar e no alto, sobre ele brilhando com todo seu fulgor estava uma estrela luminosissima estranhamente triangular.

A mesma estrala vista no sonho ali estava e mostrava-se o caminho, indicava-me o lugar onde minha peregrinarão terminaria e a minha tarefa teria inicio.

Alguns meses depois aquelas terras eram nossas e no dia 29 de setembro de 1950 o Templo do Espírito Santo abria suas portas ao espírito do homem.

Yole Fabbri Cambareri