Roma, 16 de junho de 1939.
“Detive-me na sobreira do grande arco radiante”. Palpitei no frêmito de infinitas centelhas que iluminavam minha alma, penetrando-a. Uma gama de notas fendeu o céu, encheu-o com a harmonia majestosa de seus acordes sempre mais solenes e mais sonoros. Trêmulos tilintar de argênteas campânulas de prata misturavam-se a melodiosa sutil caricia de mil harpas vibrantes, de mil dulcíssimos violinos, de mil instrumentos estranhos e encantados.
Tudo era luz, uma luz que feita de som se transformava em vibração divina desconhecida dos humanos.
Tinham-se deixado naquelas áreas sublimes e uma felicidade inefável saturava meu eu que se inebriava daquela musica provocada pelo perpassar do vento, pelo murmúrio das ondas, pelo farfalhar de mil folhas. Originava-se, talvez, do eflúvio perfumado de todas as flores do Criado, levado pelas invisíveis asas de seres misteriosos, maravilhosos, aquele hino de harmonias vindas do espírito?
Naquela moldura de beleza sublime apareceu um anjo esplendido, abre soberbas asas perláceas ao azul de seus olhos serenos, da prateada túnica aos cabelos de ouro como raios de sol, pois que sua cabeça era circundada por uma aura radiante como o astro divino.
“Vem – sussurrou a minha alma – sou Anael e tu me conheces, pois a mim és ligada pelo eterno destino do Espírito Infinito”.
Sua voz era um canto e emanava da sua figura em esplendor como fogo…
Senti frêmitos de alegria.
“Vem – disse ainda sua Angélica voz e aproximando de mim seu dulcíssimo semblante absorveu-me no oceano fulgurante da sua luz”.
Parecia-me dormir, mas estava infinitamente feliz. Mergulhada no torvelinho iridescente, senti-me transportada na gama de todos os tons.
Deixei-me invadir daquela musica celestial que tocava as cordas mais altas do sentimento com o tumultuo vibrante de suas notas até a apoteose sonora.
“Vive tua vida, mas tempera o espírito na luz do amor divino e disse, ainda, a dulcíssima voz do anjo – Eu estarei junto a ti na hora do dever e da luta, e tu venceras…”.
Quando o eco da sua voz se extinguiu, a treva me circundava e vertiginosamente eu descia no espaço.
Tinha deixado Saturno.
Oh! Anael, desejo vir para lutar, para cumprir e para vencer junto Aquele que pelo dever lutaram e venceram, para alcançar-te na felicidade infinita…
Yole Fabbri




1939/06/16 15:55 ::

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